10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Educação, cultura e outros assuntos nada interessantes


| Tempo de leitura: 3 min

No domingo passado, 26/08/2012, acessei o JC Digital como costumo fazer diariamente. Porém, desta vez não se tratava de uma leitura usual. Na realidade, buscava dados para preparar uma de minhas aulas, cujo assunto seria o mercado de trabalho para os profissionais da área de Tecnologia da Informação. Ao pesquisar as páginas dos classificados, deparei-me com um anúncio que solicitava Técnico em Informática, com experiência em "hardwer". Na página seguinte, era exibido um anúncio referente a uma oportunidade de emprego para pesquisadores com disponibilidade para "viajens". Há algumas semanas, notei que foi publicada uma vaga para "açogueiro". Concluí que a moribundez da língua portuguesa chegou a níveis alarmantes.

O leitor pode questionar: mas hardware? Língua portuguesa? Ora, o uso de termos estrangeiros é comum em nosso dia a dia. Com tanto avanço tecnológico, deveríamos, pelo menos, já estarmos familiarizados com este, certo? A questão é que este problema não se restringe a um caderno de classificados. Não é raro vermos nas redes sociais o mas se tornar "mais", atrás virar "atráz", "concerteza" substituir o "com certeza", mexer dar lugar ao "mecher". Enfim, exemplos têm-se aos milhares.

Podemos dizer que o problema vem da educação básica. Ah, sim! O governo! A culpa é do governo que não investe em educação! O Ministério da Educação (MEC) publicou na semana retrasada os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que apontaram melhorias da qualidade do ensino básico. Mais de 70% dos municípios brasileiros alcançaram a meta de qualidade para os anos iniciais do ensino fundamental. Ultrapassamos metas! Viva! Em outros casos, atingimos exatamente as metas estabelecidas para o período. Números grandiosos foram publicados. Sucesso total! Será? Não devemos analisar apenas os aspectos quantitativos, mas também os qualitativos. Só assim entenderemos a realidade. Números, se não corretamente interpretados, não significam nada.

O ensino médio, por exemplo, é considerado o gargalo da educação básica, por registrar altos índices de abandono e reprovação. Não podemos culpar apenas o governo. Sim, ele tem sua parcela de culpa. Mas... e nós? O que nós fazemos em nosso dia a dia para que esta triste realidade seja mudada? Pergunte-se, leitor: Qual foi o último livro que você leu? Reserva parte considerável do seu tempo para ler uma revista, assistir um noticiário, ler um jornal, manter-se informado e atualizado? E o mais importante: sabe interpretar o que lê/assiste e, com base nessas informações, formar opinião?

Vivemos numa realidade CTRL + C, CTRL + V; onde a lei do mínimo esforço reina. Sabemos quem são as empreguetes, mas não sabemos o que é mensalão. Sabemos quem são Tufão, Carminha e Nina, mas não quem são João Paulo Cunha ou Marcos Valério. Onde a "Gina Indelicada" está "up" e as passeatas contra a corrupção estão "down". Onde um trabalhador honesto, que paga seus impostos corretamente, que age de maneira íntegra, que não pisa em ninguém para subir na vida, é o bobo, o tonto, o babaca. E o pior: não damos a mínima! A realidade é esta e nós, passivamente, aceitamos. Será que a falta de interesse é tanta, que não enxergamos isso? Fica aqui registrada uma dica: MEC, por que não pesquisar e publicar os resultados referentes aos índices de imbecilidade e "emburrecimento" da população? Aposto que estas metas já ultrapassamos há anos.

Podemos utilizar o índice BBB ou o índice Fazenda. Que tal? Sarcasmos à parte, registro aqui um pedido, especialmente aos jovens: leiam mais. Interpretem aquilo que estão lendo. Busquem informações. Pesquisem. Sejam formadores de opinião. É disso que precisamos: formadores de opinião. A educação, a leitura e a escrita são coisas legais. Eu juro! Não fique com medo de ser chamado de babaca só porque está lendo um livro. Deixe de lado o seu Facebook e leia uma notícia sobre economia, política ou cultura. Sei que a nossa formação nos faz pensar que estes são assuntos chatos. Mas pare e reflita sobre a importância deles em nosso dia a dia. "Véi, na boa". Vamos trabalhar para salvar nossa cultura, nossa língua portuguesa, nosso futuro. "As mina pira nisso".

Marcelo Lampkowski