O Programa Tusp (Teatro da USP) e a Casa de Cultura Celina Neves retomam o Ciclo de Leituras Públicas homenageando Nelson Rodrigues, dramaturgo fundamental no teatro brasileiro que completaria este ano 100 anos de nascimento. Hoje será a vez de “Anjo Negro”, às 19h, na Casa de Cultura Celina Neves.
Além desta obra, outros textos de Nelson Rodrigues também são alvo da programação do projeto, que analisará “Viúva, porém honesta”, “A falecida”, “Boca de ouro”, entre outras (veja lista nesta página).
“Decidimos trabalhar com peças menos comuns de Nelson Rodrigues”, informa Francisco Serpa, o Xyko, orientador de arte dramática do Tusp Bauru.
Nas sessões de leituras públicas, o objetivo é levar ao conhecimento dos participantes as obras de cada autor enfocado. “Nós distribuímos os textos das peças, fazemos divisões de personagens e também a discussão da obra. O intuito do Tusp é que os participantes possam conhecer a peça, o personagem”, sublinha Xyko.
No caso de Nelson Rodrigues, pode-se afirmar que o principal assunto encontrado em suas obras é o “desejo”, seja ele representado por incestos, bofetadas, estupros, pederastia ou o “simples” ciúme. A proposta do Tusp é, a cada ciclo, discutir os textos das peças de autores eminentes do teatro. O evento é gratuito e aberto à participação da comunidade em geral.
Sexualidade marca obra
Escrita em 1946, Anjo Negro rompe com características até então comuns ao teatro brasileiro, como a unidade temporal (história transcorrida ao longo de apenas um dia). O elemento que direciona todas as ações humanas nesta obra de Nelson Rodrigues é a sexualidade, apresentada sempre de forma corrompida. O sexo está o tempo todo relacionado à violência e ao desejo proibido. Parece haver uma preocupação do autor em perturbar o leitor, utilizando o choque para trazer à tona tudo o que está velado na sociedade. Trata-se de uma tragédia com um desfecho inesperado.
Embora Nelson tenha uma vocação gigantesca para o moralismo, visto através de alguns de seus personagens, suas obras nada têm de moralistas. Pelo contrário: são um tanto quanto revolucionárias, já que elas apresentam as pessoas como elas realmente são, sem minimizar nenhum detalhe.
Serviço
A Casa de Cultura Celina Neves fica na rua Gerson França, 6-66. Informações: (14) 8174-6273, (14) 3235-8394 ou (14) 3214-3893