08 de julho de 2026
Regional

Botucatu registra descarrilamento

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 2 min

Botucatu – Ontem de madrugada, por volta das 5h, cinco vagões descarrilaram no trecho de linha férrea próximo a Rubião Junior, distrito de Botucatu (100 quilômetros de Bauru). Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, o local fica a cerca de dez quilômetros do trecho onde, na manhã de anteontem, ocorreu acidente semelhante, inclusive com vazamento de óleo diesel (leia mais abaixo).

De acordo com o diretor do sindicato, Almir Martins Pereira, no caso mais recente, os vagões que saíram dos trilhos – que geralmente são utilizados no transporte de celulose – estavam vazios. Apesar do descarrilamento, não há registro de vítimas ou de vazamento de combustível.

Ainda segundo Pereira, até o início da tarde, o tráfego de trens no local estava suspenso. Ele ressalta que, assim como no acidente de ontem, o maquinista estava operando a composição no regime de monocondução, ou seja, sozinho, sem a presença de auxiliar, prática que é criticada pelo sindicato.

Por meio da assessoria de imprensa, a concessionária América Latina Logística (ALL) não confirmou a ocorrência do novo descarrilamento. Apesar de ser informada sobre a existência de fotos que comprovam o acidente, até o fechamento desta edição, ela não havia respondido email com os questionamentos feitos pela reportagem.

De novo

Conforme divulgado pelo JC, anteontem, por volta das 10h45, cinco vagões carregados com óleo diesel descarrilaram na altura do quilômetro 293 mais 600 metros da linha férrea, no trecho que corta o bairro da Igualdade, em São Manuel (69 quilômetros de Bauru). Houve vazamento de parte do combustível de três vagões.

A composição havia saído de Paulínia com destino a Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. A reportagem apurou que cada vagão transportava cerca de 60 mil litros de diesel. Contudo, a quantidade de óleo que vazou não foi informada pela ALL, que disse que o problema foi rapidamente contido e que não houve feridos.

O diretor do Sindicato dos Ferroviários, Plínio Mércio Baldoni, declarou que os constantes acidentes na região têm sido provocados pela falta de manutenção na via e de investimento nos materiais rodantes, aliada às excessivas jornadas de trabalho. Ele também criticou o sistema de monocondução adotado pela concessionária.

A ALL defendeu-se alegando que trata-se de prática segura, comprovada por laudo pericial técnico em ação civil pública transitada em julgado, sem a possibilidade de recurso. Segundo a concessionária, a modernização dos equipamentos e tecnologia embarcada implantados fazem com que o sistema seja uma “opção plenamente viável e segura”.