08 de julho de 2026
Nacional

Comércio e indústria são favoráveis à queda da Selic

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Entidades do comércio e da indústria elogiaram hoje a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) de reduzir em 0,50 ponto percentual a taxa básica de juros, a Selic, para 7,5% ao ano. Apesar disso, fizeram ponderações.

Paulo Skaf, presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), disse que a redução da taxa de juros é uma medida correta, mas não é suficiente para garantir uma retomada mais forte do crescimento econômico.

"Se outras medidas urgentes não forem tomadas, como a redução do custo do gás e energia elétrica, diminuição e simplificação da carga tributária e da burocracia, manutenção do câmbio em patamares acima de R$ 2,00, além da melhoria das condições de infraestrutura do país, continuaremos tendo problemas graves de competitividade", disse em nota.

A FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) disse que novo corte de 0,5 ponto porcentual na Selic deve significar uma economia de R$ 10 bilhões para o governo.

Para a entidade, além da economia do setor público, a queda na Selic reforça a pressão para a redução de juros na ponta, o que estimula o setor privado a trocar investimentos financeiros por investimentos produtivos.

"Além disso, os juros mais baixos possibilitam que mais pessoas físicas e jurídicas adquiram financiamento, estimulando a produção e o consumo interno. Movimento saudável para economia nacional", diz em nota.

Por outro lado, a FecomercioSP destaca que o governo precisa destinar melhor os recursos poupados com os cortes na taxa básica de juros, implementando, por exemplo, medidas que canalizem essas "sobras" para elevar o grau de investimento do setor privado, "ao invés de ser leniente com os gastos correntes".

Já a Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) avaliou que a nova redução da taxa Selic é coerente com o quadro de baixo nível de atividade, mas não é suficiente.

"Mesmo após um ano de reduções sucessivas da taxa de juros, a economia brasileira deve encerrar 2012 com crescimento ainda menor do que o registrado no ano passado. No caso da indústria, as projeções apontam para desempenho abaixo de zero para este ano. Não obstante, a inflação tem dado sinais de aceleração, encurtando o horizonte para reduções adicionais da taxa básica de juros", diz em nota.

A Firjan "insiste na necessidade de adoção de medidas que aliviem os custos de produção e aumentem a competitividade do produto nacional, fator chave para a retomada da confiança empresarial e, consequentemente, do crescimento econômico brasileiro."

Por último, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) declarou em nota que o "Copom agiu acertadamente ao manter seu ciclo de redução da taxa básica de juros, a Selic."

"A economia brasileira ainda não conseguiu retomar o ritmo de crescimento e as previsões são de que os efeitos da desaceleração se prolonguem além do inicialmente esperado."

Para a entidade, o ambiente atual justifica a continuidade da redução da taxa de juros em 0,5 ponto percentual. "Na indústria, setor que mais se ressente da desaceleração da economia, a produção ainda não cresceu no ano. Em junho, o nível de produção é 5,5% inferior ao mesmo mês de 2011", informou.