Teerã - O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, cobrou ontem do Irã mais transparência em sua atividade nuclear, respeito aos direitos humanos e o fim da retórica incendiária envolvendo Israel e os judeus.
As críticas foram expostas em conversas com a alta cúpula do governo iraniano em Teerã, onde Ban participa do encontro do Movimento dos Países Não Alinhados (MNA), um foro terceiro- mundista com 120 membros - o Brasil é observador.
“(Ban) disse que o Irã deveria adotar medidas concretas para responder às preocupações da AIEA (agência nuclear da ONU) e provar que seu programa nuclear é para fins pacíficos”, relatou Martin Nesirky, porta-voz do secretário-geral. A cobrança foi feita na véspera da divulgação pela AIEA de um relatório apontando para o aumento da capacidade iraniana de enriquecer urânio, acirrando temores ocidentais de que Teerã fabrica em segredo uma bomba atômica.
Resposta do aiatolá
O Irã nega intenções militares e diz enriquecer urânio para fins energéticos e medicinais, o que é permitido por tratados internacionais.
O líder supremo iraniano postou em seu site uma resposta às críticas de Ban.
Khamenei acusou a ONU de não se esforçar pelo desarmamento nuclear do Oriente Médio ao tolerar o arsenal atômico de Israel.
Ao acolher a cúpula e assumir pelos próximos três anos a presidência do MNA, o Irã espera mostrar que não está isolado. Mas divergências impedem Teerã de angariar o apoio desejado.