08 de julho de 2026
Esportes

Paralimpíadas: Luzes e ação


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Faltando uma hora para o início da cerimônia oficial de abertura dos Jogos Paralímpicos de Londres, quem se abriu para um estádio tomado por 80 mil pessoas foi o céu da capital britânica, que passou o dia todo encoberto e com muita chuva. Mas os ingleses pareciam ter combinado com o clima. O espetáculo começou justamente com chuva, mas de bolhas de sabão. Bailarinos com seus guarda-chuvas flutuaram pelo centro da apresentação em um dos momentos mais emocionantes da festa. Isso após um avião de pequeno porte, cheio de luzes azuis e soltando faíscas, pilotado por uma pessoa com deficiência, cruzar o céu.

O espaço foi tema principal da festa, que primou pelo uso de luzes de led e de fogos, além de inúmeros objetos e pessoas suspensas no ar. O cadeirante mais ilustre do Reino Unido, o físico Stephen Hawking, fez um breve discurso sobre respostas para os mistérios do universo e, em seguida, explosões de fogos simularam o “big bang”. “Por mais difícil que a vida possa ser, sempre há algo que se pode fazer e ser bem sucedido”, relembrou o pensador, que mesmo com esclerose lateral amiotrófica, uma doença que gradativamente afeta os movimentos, é considerado uma das mentes criativas mais importantes da atualidade.

Cumprindo o compromisso de Londres de dar aos paraolímpicos a mesma importância que deu ao evento dos atletas olímpicos, a rainha Elizabeth II fez sua aparição pública precedendo a entrada da bandeira britânica conduzida por integrantes das forças armadas. A escolha de militares remeteu a uma referência histórica, pois foi em um hospital britânico, para atender veteranos da Segunda Guerra Mundial com lesões de coluna, que surgiu o movimento paralímpico.

A delegação brasileira, com 182 para-atletas, foi ovacionada ao desfilar para o público no Estádio Olímpico. O nadador Daniel Dias, um dos maiores medalhistas do País, carregou a bandeira na cerimônia de abertura.

Para os inspiradores da competição, os melhores lugares do Estádio Olímpico. A arena teve ampliada, nos últimos dias, sua capacidade para receber cadeirantes, com cerca de 500 posições.

Havia áudio-guia do evento especialmente preparado para os cegos e transmissão simultânea em libras (língua dos sinais) e com legendas, nos telões. Após três horas de cerimônia, mais chuva. Dessa vez, de papel picado.

A bandeira paralímpica foi conduzida por cadeirantes após os discursos do presidente do Comitê Organizador Local (COL), Sebastian Coe, e do presidente do Comitê Paralímpico Internacional (CPI), sir Phillip Craven. A festa reiniciou com muita luz e textos declamados pelo ator Ian Mckellen.

O revezamento final da tocha iniciou com a chegada pelo ar do ex-mariner e triatleta paralímpico Joe Townsend, que fez revezamento com o jogador de futebol de cinco David Clarke, que passou para a ex-arqueira Margareth Maughan, medalha de ouro na primeira edição das Paralimpíadas, em Roma-1960. Ela teve a honra de ascender o fogo na pira, a mesma das Olimpíadas. A festa terminou com um clássico da música disco, “I am what I am”, cuja letra incentiva a aceitação das diferenças.

 

Brasileiros sofrem pressão por medalhas em Londres

As Paralimpíadas de Londres começam para valer hoje e muitos dos atletas brasileiros estão enfrentando um adversário desconhecido: a pressão por resultados. O nadador Daniel Dias admitiu que sentiu os efeitos da ansiedade. “Tive de pedir para o médico alguma coisa para dormir”, disse o nadador que, depois de ganhar nove medalhas em sua primeira participação, há quatro anos, em Pequim, vai lutar por oito na segunda - duas em provas de revezamento e seis em individuais. Hoje, ele luta pela primeira delas, nos 50 metros livre.

Daniel Dias está vivendo uma experiência nova. Há quatro anos, não havia expectativa sobre sua participação. Agora contam mais do que nunca com ela para atingir a meta de terminar as Paralimpíadas em sétimo lugar. Ele sabe que é o homem a ser batido pelos rivais. “Mas tento ver o lado bom da situação, que é inspirar o respeito dos adversários”, ponderou. Daniel foi o porta-bandeira do Brasil na cerimônia de abertura ontem à noite. “Confesso que fiquei mais preocupado com isso do que a natação porque para a natação eu treinei. Carregar a bandeira é uma emoção muito grande”.

Seu companheiro de piscina e de prova, Clodoaldo Silva, está tão empolgado com o ambiente em Londres que já admite a possibilidade de voltar atrás em sua decisão de despedir-se das piscinas na Inglaterra. Pode competir mais uma vez em 2016. “Confesso que estou bem na dúvida. Um dos motivos é minha filha Anita”, disse o atleta. A ideia de proporcionar à menina, de nove meses, a oportunidade de vê-lo em ação daqui quatro anos é um estímulo. A participação especial no revezamento da tocha, ontem, e os muitos pedidos de outros nadadores para que se aposente competindo em casa, segundo ele, têm contribuído para aumentar “o gostinho de quero mais”.

Se as Paralimpíadas têm causado ansiedade em uns e dúvida em outros, para a velocista Terezinha Guilhermina tem significado o tempo de desfrutar dos benefícios da experiência. Ela conta que está dando maior vazão às emoções e deixando transparecer um lado “menos automático” se comparado ao que costumava fazer nos Jogos de 2004 e 2008. “Estou trabalhando, mas também vivenciando cada momento. Compartilho tudo junto com as meninas que estão no meu apartamento. Hoje estou conseguindo administrar as emoções como nunca fiz em uma competição antes”.

 

Estreias

Além da natação, o Brasil também tem estreia no basquete em cadeira de rodas. O adversário será a Austrália. No golbol masculino, os homens enfrentam a Finlândia e as mulheres, a Dinamarca. A equipe do hipismo de adestramento também entra em ação, assim como o judô e o tênis de mesa.


Mesatenista de Bauru faz sua estreia hoje em Londres

O mesatenista Paulo Salmin, da Associação Nova Era de Tênis de Mesa de Bauru, estréia hoje nas Paralimpíadas de Londres, na Classe 8. O primeiro jogo do atleta será às 5h (de Brasília) contra o belga Marc Ledoux, cabeça de chave número um do grupo D. Já o segundo compromisso do brasileiro será às 14h40 (de Brasília) contra Marcin Skrzynecki, da Polônia.

Salmin fala da emoção que está sendo disputar suas primeiras Paralimpíadas. “É um sonho que se torna realidade. Quando cheguei a Londres senti um frio na barriga e a ‘ficha ainda não tinha caído’. Há cinco anos, era um menino comum, que brincava, estudava, e agora estou numa Paralimpíada, que é o objetivo de todo atleta. Está sendo incrível”, vibra.

Salmin teve “sorte” no sorteio dos grupos e está confiante com a possibilidade de ficar entre os oito melhores do mundo. “Nós atletas não podemos escolher contra quem vamos jogar, pois todos os atletas que estão aqui têm condições de conquistar medalhas, mas eu realmente tive um pouco de sorte, pois poderia ter caído num grupo muito mais difícil”, analisa o atleta.

O mesatenista está na Inglaterra desde o dia 12 de agosto fazendo a parte final de sua preparação. “Treinei em Bauru até dia 10 de agosto. No dia 11, embarquei para Manchester, onde juntamente com a delegação brasileira fiz minha preparação final para as Paralimpíadas. Estou preparado e o meu objetivo é jogar bem, o resultado é consequência”, destacou Paulinho.

Para o coordenador técnico do tênis de mesa de Bauru, Adilson Toledo, Salmin tem chances de ficar entre os oito melhores das Paralimpíadas. “Desde que o Paulinho chegou a Bauru, no começo de janeiro, a gente trabalhou muito forte, corrigindo algumas deficiências e dando consistência ao seu jogo. Agora sinto que ele realmente está preparado, mesmo sendo um dos mais novos das Paralimpíadas, com apenas 18 anos. Ele tem capacidade de vencer os melhores do mundo”, finaliza o dirigente.

Salmin é treinado na parte técnica e tática por Toledo, na parte física pelos preparadores físicos Matheus Bertolaccini, Daniel Pestana da Silva e pelo fisioterapeuta Fábio de Barros Rodrigues. O atleta é apoiado por Adidas, Corpo Ideal Suplementos, Clínica Qualityfisio, Academia Saúde & Cia e ABDA.