O Brasil foi mal nas Olimpíadas? Normal. Anormal seria se ele tivesse ido sempre bem e ganhado muitas medalhas. Tudo começa com educação e a nossa, infelizmente, na atualidade é considerada uma das piores do mundo, e o resultado é isso aí, apenas algumas medalhas. E isso considerando-se que essa foi uma das melhores Olimpíadas que fizemos. Nós não temos cultura esportiva, o Brasil é o país do futebol, a "Pátria das chuteiras" e o resto é resto. Aliás, os milionários desse esporte nem na Vila Olímpica, ficam e sim em hotel cinco estrelas. Eles não têm espírito olímpico e mesmo com todas as mordomias nunca trouxeram uma medalha de ouro para o país.
E o resto dos outros esportes? Chega a dar dó, o tanto de sacrifícios a que se submetem os atletas, atrás de patrocínios, de dinheiro, de melhores quadras. De melhores condições de treinamento, enfim de uma ajuda básica que quase nunca vem. Ficam esmolando pedindo pelo amor de Deus uma ajuda.
Esses sim são heróis, são os verdadeiros atletas olímpicos que gostamos de ver. Vestem a camisa verde e amarela com o maior orgulho e quando entram em combate é "sangue no olho e faca no dente".
E é assim que tem que ser mesmo, são as estrelas solitárias do esporte brasileiro. Quem são essas estrelas:
Num passado remoto tivemos um bi campeão olímpico em salto triplo, Ademar Ferreira da Silva e Maria Esther Bueno, várias vezes campeã em Wimbledon.
Num passado mais recente tivemos o Joaquim Cruz nos 800 metros no atletismo e Aurélio Miguel no judô ambos com medalha de ouro e João do Pulo. E no presente temos vários campeões do mundo mas que quando chegam nas olimpíadas falham. Vou citar alguns: Diego Hipólito campeão do mundo que na última olimpíada na ginástica de solo caiu sentado e nesta caiu de frente. Daiane dos Santos, que é tão boa que tem um salto que leva seu nome, falhou na última e não classificou nessa.
César Cielo, ouro em Pequim e nessa não deu. Rodrigo Pessoa no hipismo, campeão olímpico no passado e agora não classificou. Em uma das olimpíadas passadas montando o melhor cavalo do mundo, Baloubet du Rouet, este refugou duas vezes o obstáculo. Que falta de sorte mesmo. Maurren Maggi no salto em distância ouro em Pequim e agora nada, Fabiana Murer campeã do mundo em salto com vara e agora falhou colocando a culpa no vento.
O vôlei masculino teve dois "match point" para fechar o jogo e ser campeão e acabou perdendo de virada para os russos. Cheguei a conclusão de que o Brasil não pode entrar como favorito, que falha. Será que nossos atletas não são preparados psicologicamente para sofrer pressão? Parece que não.
A alegria ficou por conta de Arthur Zanetti, que nas argolas foi ouro e nem ele acreditava que isso pudesse acontecer e a menina que ganhou ouro no judô também. Outra alegria foi o bronze conquistado por uma garota que saiu do agreste pernambucano, a loirinha Yane Marques, e fez bonito no pentatlo moderno, esporte dificílimo.
Todos os atletas mencionados aqui são gênios e apesar das dificuldades enfrentadas honraram a camisa verde e amarela. Me esqueci de mencionar as meninas do vôlei bi-campeãs olímpicas, que não deram bola pra pressão e arrasaram as americanas na final. Aliás, em toda história das olimpíadas só tivemos dois bi campeões olímpicos, Ademar Ferreira da Silva e agora o vôlei feminino.
Infelizmente, no Brasil o atleta brasileiro precisa tirar leite de pedra para sobreviver e é por isso que quando ganham uma medalha olímpica seja de ouro, prata ou bronze, são considerados gênios e heróis. Espero quem em 2016 alguma coisa mude e que nossos atletas guerreiros tenham mais ajuda para poder treinar com mais tranquilidade sem ficar esmolando para ninguém. Valeu, Brasil!
Jacy Guedes de Azevedo - ex-atleta da seleção brasileira de basquete que infelizmente nunca participou de uma olimpíada