Com um amontoado de fotos nas mãos e alguns cartões de felicitações enviados pelo filho, Iolanda Aparecida de Souza Santos, 48 anos, procurou o Jornal da Cidade para defender o primogênito: João Vitor de Souza Urias, 27 anos. Conhecido no meio policial como “JV” ou “Magrão”, ele foi recapturado depois de dois anos foragido. Com uma condenação de 34 de prisão por tráfico, ele é acusado de ser o mentor intelectual da explosão da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Botucatu, ocorrida em novembro de 2008.
A mãe, entretanto, nega a acusação. “Todo mundo vai falar que estou dizendo isso porque sou mãe. Mas ele é uma pessoa muito boa. Ele não pertence a facção criminosa nenhuma como estão dizendo. Dá uma olhada nessas fotos para você ver se esse menino é perigoso. Ele jamais faria uma coisa dessas”, frisa, mostrando também as mensagens escritas por ele em cartões de aniversário e Dia das Mães.
De acordo com Iolanda, Urias teria lhe dito que só foi envolvido no crime porque um dos membros da quadrilha que teria participado do plano telefonou para ele logo após o ataque. “Ele disse que uma conversa dele apareceu em uma escuta (telefônica). Estavam pedindo ajuda para ele, porque tinham colocado uma quantidade muito grande de explosivos e o estrago tinha sido maior do que o planejado. Mas ele não foi ajudar ninguém”, diz a mulher.
Ela não soube explicar, no entanto, o motivo de um colete à prova de balas pertencente à Dise de Botucatu ter sido encontrado em um apartamento alugado em nome do filho. O imóvel funcionava como laboratório de refino de drogas e foi descoberto pela Polícia Civil de Bauru em fevereiro de 2009, quando Urias foi preso.
Durante uma audiência realizada no Fórum de Bauru, em junho de 2010, o traficante fugiu com pés e mãos algemados, depois de pedir para ir ao banheiro e saltar da janela do segundo andar do prédio. A mãe estava no local e conta que chegou a ver o filho correndo pela rua Afonso Pena.
“Ele já estava com um pé e uma mão sem algemas. Tentei alcançá-lo, mas não consegui. Fiquei desesperada, com medo de que os policiais fossem atirar”, relembra a mulher, garantindo que a fuga não foi facilitada. “Ele conseguiu se soltar e fugir sozinho. Uma hora ele vai esclarecer como tudo aconteceu”, completa, sem revelar detalhes da ação.
De acordo com Iolanda, Urias já estava decidido a fugir da prisão desde o início de 2010, quando soube que sua esposa estava grávida. “Ele queria ver o filho crescer. Foi na prisão que ele casou com a menina que ele namorava desde a adolescência e a engravidou. Estava arrependido e não queria dar essa vida para ela”, comenta.
A mãe conta que, até os 15 anos de idade, Urias frequentava cultos evangélicos e só se afastou, segundo ela, devido à “vaidade de adolescente”. Dos 12 aos 19 anos, teria trabalhado como vendedor em uma loja de calçados. No ano seguinte, atuou como cobrador de ônibus e, ainda com 20 anos, começou a realizar serviços de moto-táxi.
“Foi quando começaram os boatos de que ele estava vendendo drogas. Ele saiu de casa, mas nunca deixou de me visitar”, diz, garantindo que, desta vez, o filho não tentará escapar novamente da prisão. “Ele quer pagar pelo erro dele. Em Campo Grande (MS, onde foi encontrado), ele não tinha paz, estava sempre com medo de ser descoberto. Mas ele não merecia uma pena dessas. Os políticos de Brasília é que mereciam. Ele vai sair com 60 anos da cadeia”, lamenta.