09 de julho de 2026
Geral

Em 2 anos, Bauru cresce ?um Rasi?

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

Confirmando um fenômeno já detectado por pesquisadores demográficos, a população de Bauru - assim como a de outros municípios do Interior do Estado - está crescendo em ritmo mais acelerado que na região metropolitana. Apenas nos últimos dois anos, a cidade ganhou 4.209 novos habitantes, segundo estimativa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para se ter uma ideia, o número é equivalente à quantidade de moradores do Núcleo Octávio Rasi, um dos conjuntos habitacionais mais antigos da cidade.

De acordo com o estudo, em 1º de julho de 2012, Bauru já contava com 348.146 habitantes, ante os 343.937 contabilizados durante o Censo de 2010. O crescimento, de 1,2%, é levemente superior ao da Capital, que foi de 1%, e um pouco menor do que cidades de mesmo porte, como Piracicaba (1,4%), Franca (1,4%) e São José do Rio Preto (1,8%).

A estimativa divulgada pelo IBGE contemplou todos os municípios brasileiros e os que protagonizaram as variações mais expressivas foram exatamente aqueles com população entre 100 mil e 500 mil habitantes, revelando, segundo o instituto, “que o dinamismo populacional do Brasil continua seguindo novas rotas, particularmente rumo ao Interior” (leia mais na página 21). Já o grupo de municípios com população abaixo desta faixa tiveram baixas taxas de crescimento no período, muitas delas negativas ou próximas de zero.

Para o economista Adriano Fabri, este fenômeno é resultado da saturação populacional e de negócios verificada na história recente das capitais federais, em contraponto à descoberta de um mercado em potencial até então inexplorado nas cidades interioranas. “Com isso, pessoas que viviam nas regiões metropolitanas começaram a se deslocar para cá e quem já estava aqui acabou se sentindo estimulado a ficar”, destaca.

 

Segundo mercado

Como resultado, o Interior paulista já se consolidou como o segundo mercado consumidor do país, atrás apenas da própria Capital. Célio Losnak, professor doutor em história pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, explica que, por concentrar as atividades financeiras e a conexão com o mercado internacional, São Paulo se manteve como grande centro econômico até a década de 1970.

Mas, lentamente - e, agora, com maior intensidade - iniciou-se um movimento de descentralização, com empresas buscando novos negócios. “Um exemplo foi a indústria automobilística, antes concentrada na região do Grande ABC. Em busca de mão de obra barata, elas difundiram seus parques para as cidades do Interior. São investimentos que contribuem para a fixação populacional”, frisa, destacando ainda a agroindústria como outro setor que colaborou para esta expansão.

“Na esteira deste movimento,

posteriormente houve ampliação também de estabelecimentos comerciais e de serviços, como escritórios e empresas da área de educação, alimentação, lazer e entretenimento”, completa.


O estudo

A estimativa populacional dos municípios divulgada ontem pelo IBGE foi calculada tomando-se como base as populações observadas nos censos de 2000 e 2010. Conforme destaca o instituto, as estimativas são fundamentais para o cálculo de indicadores econômicos e sociodemográficos nos períodos intercensitários e são, também, um dos parâmetros utilizados pelo Tribunal de Contas da União na distribuição do Fundo de Participação de Estados e Municípios.

 

Crescimento x qualidade de vida

Para o professor Célio Losnak, doutor em história pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, a cidade desfruta de uma condição favorável em termos populacionais. Com uma estimativa de pouco mais de 348 mil habitantes, é considerada uma cidade de porte médio, que oferece mais conforto, mais oportunidades de emprego e maior quantidade de serviços em relação aos municípios pequenos.

Por outro lado, é menos poluída, mais segura e com trânsito menos caótico do que as grandes cidades. “É claro que os problemas e soluções não surgem apenas devido ao contingente populacional. Depende muito dos projetos implementados pela administração pública em todas as áreas”, observa.

Faz a mesma ponderação o economista Adriano Fabri. E ele considera, neste contexto, que o crescimento populacional só tem oferecido vantagens a Bauru. “A cidade está em um bom momento econômico e um maior volume de mão de obra, associado ao aumento do mercado consumidor, só traz benefícios à população”, frisa.

 

Cidade cresce de maneira pulverizada

Nos últimos dois anos, segundo dados da Secretaria Municipal de Planejamento, Bauru ganhou cerca de 15 mil novos imóveis - entre casas, apartamentos e estabelecimentos comerciais. De acordo com o titular da pasta, Rodrigo Said, o grande impulso para este crescimento foi proporcionado pelo programa habitacional federal “Minha Casa, Minha Vida”, criado em 2009.

De maneira pulverizada, os empreendimentos subsidiados pelo projeto se espalharam pela cidade, em bairros tão distintos como a Vila Marilu, Parque Roosevelt, Parque Viaduto, Jardim Terra Branca, Jardim Eugênia, Núcleo Nova Esperança, Colina Verde, Vila Lemos, Núcleo Octávio Rasi, entre outros.

“É claro que este crescimento não ocorreu apenas para dar conta do aumento populacional, mas também da necessidade de deslocamento dos moradores dentro da própria cidade. Um exemplo são filhos que deixaram a casa dos pais para se casar ou viver sozinhos”, cita.

Há ainda a expansão de condomínios de alto padrão, que foram e estão sendo erguidos em locais como a rodovia João Baptista Cabral Renó, a Bauru-Ipaussu e a avenida José Vicente Aiello, além de imóveis para locação no entorno de universidades e imediações da avenida Nações Unidas. “No primeiro caso, são famílias que decidiram se afastar das áreas mais movimentadas da cidade para morar em condomínios fechados, em busca de tranquilidade e segurança. No segundo, geralmente são apartamentos de um ou dois dormitórios, voltados principalmente para estudantes”, frisa.

 

Em 20 anos, crescimento é de 33,3%

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 20 anos, a população de Bauru cresceu 33,3%. Em 1991, contava com 261.111 habitantes, que passaram para 316.064 moradores, em 2000. Já em 2010, somava 343.937 pessoas, com uma estimativa de ter chegado a 348.146 habitantes em julho de 2012.

O crescimento nos últimos dois anos, de 1,2%, é menor que o registrado pelo Estado de São Paulo (1,5%), que aumentou de 41.262.199 para 41.901.219 moradores. No Brasil, a variação foi de 1,7%, com um total de 193.946.886 pessoas, ante os 190.755.799 habitantes computados em 2010.