09 de julho de 2026
Regional

Região é rica em eventos culturais

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 11 min

Cultura é todo conhecimento, a arte, crenças, lei, moral, costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo homem. Há alguns anos, os eventos culturais, especialmente as peças teatrais, ficavam restritas às cidades de maior porte por falta de espaço adequado e até por não ter um público específico. Mas aos poucos a situação está sendo revertida. Cidades da microrregião de Bauru estão investindo em espaços, implantando projetos para criar público e levar conhecimento à população.


Em Agudos (13 quilômetros de Bauru), o município e uma organização não governamental buscaram verba para restaurar o Cine-Teatro São Paulo, um espaço para acolher peças teatrais. Atualmente, os espetáculos acontecem no Seminário Santo Antônio. As encenações têm conquistado o público. Muitas vezes, as pessoas assistem em pé os espetáculos.


Os investimentos em cultura na cidade de Agudos não param por aí. A prefeitura implantou caixas com livros de diversos títulos nos postos de saúde para que os usuários passem a ler. O resultado tem sido bastante positivo. Só este ano já foram emprestados 340 livros que chegam através de convênio com secretarias estaduais e doações da própria população.


Edenilda Bezerra de Lima Oliveira, 43 anos, é usuária do atendimento médico e viu uma oportunidade de aumentar seus conhecimentos com os livros disponíveis nos postos. Ela gostava de ler revistas, mas o acesso aos livros era mais difícil. “Conheci o projeto este ano e já emprestei uns dez livros”, conta.


Como a filha de 12 anos se interessou por leitura vendo a mãe ler, ela passou a emprestar dois livros de cada vez, contemplando a filha. “Ela lê um livro e eu outro. Eu aprovo a iniciativa, porque através dela passei a adquirir conhecimentos que não tinha antes. Estudei só até o 4º ano primário.”


A dona de casa não tem preferência por títulos. “Leio romances, enquanto que minha filha, aquele que for mais adequado para a idade dela. Percebo que a leitura faz bem, vai além do conhecimento.”


Em Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru), o teatro tem sido palco de diversas manifestações culturais. O forte da cidade são as danças e os festivais que premiam com bolsas para o Ballet Bolshoi. A agenda do teatro está lotada durante todo o ano e em função disso, as formaturas de escolas municipais não poderão mais ser realizadas ali.


Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) ganhou um teatro no início deste ano. Com capacidade para mais de 400 pessoas e acesso garantido aos deficientes, ele foi inaugurado com a orquestra Bachianas, sob a regência do maestro João Carlos Martins.


O público cativo de teatro está sendo criado através de projetos. Por enquanto, somente algumas apresentações conquistaram público recorde. O município mantém várias atividades culturais gratuitas.


O projeto Andar e Voar é uma tentativa de aproximar a população da dança, da arte circense, dos instrumentos musicais dentre outros, tudo gratuitamente.

 

Agudos leva livros para quem precisa

Todos os centros de saúde da cidade receberam caixas com livros para facilitar empréstimos aos moradores dos bairros

Um projeto que não é inédito, mas que tem apresentado bons resultados em Agudos (13 quilômetros de Bauru) é a biblioteca itinerante. Um modelo simples e barato que garante o acesso aos livros. Incentiva a leitura em um local pouco convencional, no interior de um centro de saúde, onde fica uma caixa cheia de livros para que os usuários do atendimento possam manusear os livros e escolher dentre eles aqueles que mais lhe agradam. O empréstimo é gratuito. Este ano, nos cinco postos já foram emprestados 340 livros.


Para o prefeito Everton Octaviani, é uma maneira de aproximar o agudense da leitura. “Temos uma biblioteca, mas nem todos se deslocam até lá para empréstimo de livros. Facilitamos o acesso para que os moradores dos bairros possam ler. É uma atividade importante, porque garante o acesso.”


De acordo com o prefeito, nos cinco centros de saúde há caixas com livros dentro. “O cidadão que vai para uma consulta pode pegar o livro e começar a ler ali mesmo. Leva para casa e depois devolve. São livros de diversos segmentos, literatura, história em quadrinhos e clássicos.”


Os títulos são provenientes de uma parceria com o governo estadual. “O projeto teve início no ano passado. Temos livros doados pela população e recebidos pelo governo. O trabalho é simples, requer investimento baixo e a população, aos poucos, tem aderido.”


Na opinião do prefeito, são várias as atividades culturais existentes no município, todas elas com o objetivo de democratizar a cultura como um bem social. “É um instrumento de aprendizado. Uma forma de valorizar as expressões artísticas que nascem das mais diversas formas. A cultura é parte integrante da educação.”


Ele enfatiza que desde o início de seu mandato faz investimentos nessa área e isso permite que os moradores adquiram comportamento diferenciado. “Funciona como entretenimento, mas contribui para a formação do cidadão. Temos percebido mudanças comportamentais na população. Quando começamos a trazer peças de teatro, o público não superava 50 pessoas. Hoje, há espectadores que assistem em pé para não perder o espetáculo.”

 

Parceria com Circuito Cultural garante apresentações mensais

Uma parceria com o Circuito Cultural Paulista garante um espetáculo por mês para a população de Agudos. O Seminário Santo Antônio oferece o espaço e o público agradece pelo espetáculo da natureza e pelas apresentações realizadas.


O local é maravilhoso, um espetáculo à parte, embora fique fora do centro da cidade. “Mensalmente, recebemos peças de teatro, dança, arte circense, enfim uma gama fantástica de atrações que têm contribuído para melhorar o nível cultural da população”, explica o prefeito Everton Octaviani.  


No início das apresentações, a frequência era pequena. “Não havia público. Trouxemos peças teatrais boas e mesmo assim o público não superava 50 pessoas. Isso ocorreu nas três primeiras apresentações. Hoje, em todas as apresentações lotamos o anfiteatro com capacidade para 600 pessoas. Tem gente que assiste o espetáculo em pé”, enfatiza.



Público


Como as apresentações são gratuitas, o público é heterogêneo. “Recebemos todo tipo de público, aqueles mais cultos e aqueles que têm pouco acesso. Estamos formando público quando as escolas levam seus alunos para assistirem aos espetáculos.”


O acesso à cultura na cidade não se esgota com as peças teatrais e o projeto de levar livros para os usuários da saúde. “Temos as oficinas de formação musical, aulas de teclado, cordas, violino, violoncelo, contrabaixo, percussão rudimentar, violão clássico, violão popular, viola caipira, bateria.”


Como o município mantém uma corporação musical, há também iniciação musical para banda. “Temos uma corporação musical que se chama maestro João Andreoti, que é campeã brasileira e paulista, faz sucesso em todo o país. Por isso, temos uma oficina de iniciação voltada para o cidadão que tem interesse em ingressar, fazer parte da banda musical. Eles fazem apresentações na cidade e em outras. Participam de competições paulistas e brasileiras, temos oficinas de camerata.”


É na biblioteca municipal que acontecem as exposições. “Lá tem um espaço adequado para os artistas exporem seus trabalhos. Artistas plásticos e até histórias em quadrinhos já ocuparam o espaço.”

Cine Teatro está sendo restaurado

O Cine-Teatro São Paulo, um dos prédios mais antigos de Agudos, está sendo preparado para servir de espaço para apresentações teatrais. Graças a um projeto da Lei Rouanet, de incentivo a cultura, ele será mais uma opção para o agudense. A informação é do prefeito Everton Octaviani, que acredita que pelo prédio estar na área central vai viabilizar ainda mais o acesso.


“O Cine-Teatro foi um local de grande participação de público agudense nas décadas de 50, 60, 70 e 80. Em meados da década de 90, entrou em um período de decadência. Ficou sem condições de uso. Era um imóvel privado. Nessa época, a prefeitura adquiriu o prédio. A Associação de Defesa do Patrimônio Histórico de Agudos conseguiu aprovar um projeto na Lei Rouanet. A reparação vai custar R$ 2,5 milhões. Já conseguimos parte desse dinheiro e as obras já estão andando. Acredito que a partir dessa inauguração vai aumentar o número de frequentadores do teatro.”

 

Teatro de Barra Bonita não tem mais data livre até o fim do ano

O teatro de Barra Bonita tem espaço para 360 pessoas e a maioria das manifestações culturais é realizada nele. A demanda é tanta que as formaturas das escolas municipais não poderão ser realizadas no espaço por falta de data.


A vida cultural na estância é movimentada, segundo o diretor de Cultura, Paulo Sérgio Salvi. “Os 365 dias do ano estão ocupados com eventos culturais. São festivais de dança. Exemplo foi o festival de ballet realizado recentemente, que premiou com bolsas para o Bolshoi. Foram dois dias de espetáculos com cobrança simbólica, R$ 10,00.”


Salvi frisa que há várias atividades gratuitas para a população a fim de facilitar o acesso da população. “Há atividades de dança em que a entrada é um alimento não perecível, geralmente uma caixa de leite. Temos ainda festival de música e peças de teatro.”


Para se ter uma ideia de quanto o espaço é usado, o diretor divulga números. “No ano passado tivemos quase 50 mil pessoas passando pelo teatro. Essa semana, na segunda e terça-feira, tem ensaios. A partir de quarta até sexta-feira vamos ter o festival cultural de uma escola com atividades de manhã, tarde e noite. Se todas as apresentações lotarem, teremos um público de 1.200 pessoas passando por dia.”



Parceria


Uma parceria entre a diretoria de cultura de Barra Bonita e o Sesc de Araraquara garante o acesso de crianças, uma prévia para a formação de público para o teatro, explica Salvi.


“É o  projeto Contação de Histórias. A cada mês, o Sesc trabalha um livro e seu autor. Eles contam a  história do autor e da obra literária. Nessas ocasiões são atendidas as escolas municipais. Em cada vez, três ou quatro vezes ao ano para barra bonita. São crianças de 7 a 10 anos frequentando o teatro. Para que eles saibam o que está acontecendo no teatro, o que é a literatura e a  apresentação teatral.”


As peças teatrais também ocupam a agenda. “Hoje, teremos a apresentação da peça “Uma empregada quase perfeita”. Temos tido público. Na última, chamada “O Cunhado”, os ingressos esgotaram às 15h e às 20h tinha fila de mais ou menos 100 pessoas. Como a peça era longa, os atores não tinham condições de abrir a 2ª sessão. Parte do público assistiu o espetáculo em pé.”


Segundo o diretor, é difícil um espetáculo que não tenha público, mas já aconteceu. “No ano passado trouxemos uma apresentação que não reuniu mais de 100 pessoas. Temos um convênio com uma empresa que desenvolve uma escola de teatro com crianças, adolescente e adulto. No final de cada ano eles se apresentam com cerca de 80 atores.”


Ainda na área cultural, na estância tem o museu que atende escolas municipais e a biblioteca. “No museu, são visitas monitoradas. No ano passado, cinco  universitários fizeram o trabalho de conclusão de curso no museu, através de pesquisas.”

 

Pederneiras tem espaço multiuso

Inaugurado em maio deste ano, teatro ainda busca maneiras de atrair público da cidade com espetáculos variados

O teatro da cidade de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) foi inaugurado em maio deste ano como um espaço multiuso. Tem capacidade para 404 pessoas. Tem espetáculos de diversas expressões artísticas, mas ainda patina com o público nas peças teatrais. Para driblar a dificuldade, a diretoria de cultura incentiva inúmeras apresentações gratuitas.


O diretor de cultura da cidade, Geraldo Antônio Cardoso, diz que o teatro foi inaugurado este ano e por conta disso está enfrentando dificuldades na criação de público. “Muita gente não tinha o costume de frequentar o teatro, até porque não havia o espaço na cidade. Com a inauguração, passamos a receber duas a três vezes ao mês uma peça, em parceria com cidades vizinhas e com outras secretarias.”


Para incentivar a frequência, a diretoria oferece gratuidade e preços populares. “A maioria das peças teatrais tem portaria com preços populares, algumas, com entrada franca. Os preços variam de R$ 10,00 a R$ 25,00, no máximo. Na verdade, a população está se acostumando. Estamos criando um público, por isso tem que trazer muita coisa gratuita ou com renda beneficente.”


Exemplo disso aconteceu no último final de semana, quando uma escola de música da cidade realizou um recital em homenagem a Noel Rosa. “A presença enorme. Mais de 400 pessoas compareceram. A portaria era um litro de leite que foi direcionada para uma entidade.”


Para quem gosta de dança, está agendada uma apresentação de dança flamenca com entrada franca. “Temos várias apresentações de danças agendadas. São espetáculos de várias academias, bandas e até alguns workshops de teatro.”


Já para os artistas da casa, a diretoria de cultura reserva o Centro Cultural Izavam Ribeiro Macário. “As exposições são realizadas lá. Estamos encerrando uma exposição de quadros que vai dar lugar a outra com artistas prata da casa.”


A cultura na cidade é uma bandeira que sempre esteve em lugar de destaque. “Temos um projeto chamado Andar e Voar que proporciona acesso há várias manifestações culturais, todas gratuitas. O projeto é desenvolvido na escola Eliazar Braga.”


Andar e Voar existe há muitos anos. “Oferecemos aulas de violão, violino, teclado , pintura em tela e desenho artístico, escultura, dança do ventre, axé, street dance, dança de salão, arte circense. No centro cultural há também curso de informática, o básico para crianças e integrantes da 3ª idade.”


O teatro de Pederneiras, Flávio Razuk foi inaugurado em maio deste ano quando a cidade comemora seu aniversário. São mais de mil metros quadrados de área construída localizado ao lado do Centro Cultural Izavam Ribeiro Macário. Um antigo galpão da estação ferroviária se transformou no espaço que atualmente recebe diversas manifestações culturais.  


A primeira apresentação oficial foi da Orquestra Bachianas sob a regência do maestro João Carlos Martins. As apresentações iniciais registraram recorde de público. O teatro tem capacidade para pouco mais de 400 pessoas, tem um palco com 12 metros de profundidade e 20 de extensão, um dos maiores da região. O espaço ainda conta com dois camarins completos e diversos banheiros, tudo adaptado para as pessoas portadoras de necessidades especiais.