09 de julho de 2026
Internacional

África do Sul liberta 162 mineiros

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Johanesburgo - Um total de 162 dos 270 mineiros detidos após o massacre de 34 colegas por disparos feitos pela polícia no dia 16 de agosto na África do Sul foram postos em liberdade ontem devido à retirada das acusações de assassinato apresentados contra eles, informou um porta-voz da Procuradoria do país.

O órgão judicial anunciou ontem que todos os mineiros detidos após o massacre na mina de platina da empresa Lonmin em Marikana (a 100 km de Johanesburgo) serão libertados.

As acusações de assassinato foram retiradas provisoriamente até que termine a investigação sobre o massacre.

 

Liberação

No domingo, a Promotoria da África do Sul tirou provisoriamente as acusações de homicídio contra os mineiros que participaram dos protestos na mina de Marikana, em meados de agosto.

Os funcionários da jazida poderão ser liberados com a suspensão do processo, mas eles poderão ser acusados novamente quando as investigações forem encerradas.

Os promotores também esperarão os resultados da comissão judicial de investigação, feita pelo governo para tentar esclarecer o incidente.

Os indiciados, que foram detidos no dia dos assassinatos, faziam parte dos grevistas, armados com lanças e machados, contra quem a polícia disparou.

O indiciamento provocou indignação das famílias das vítimas e mal estar no governo do presidente Jacob Zuma. O ministro da Justiça, Jeff Radebe, cobrou explicações sobre as acusações.

 

Novos protestos

A polícia da África do Sul disparou gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar grevistas de uma mina de ouro perto de Johanesburgo ontem, no último episódio de uma onda de militância trabalhista que se espalhou de uma mina de platina para o restante do setor.

O caso de Marikana chocou a África do Sul e manchou a imagem da maior economia do continente, uma vez que a extensão completa de um colapso nas relações trabalhistas no setor de mineração ficou aparente.

Os preços da platina no mundo subiram mais de 10 por cento desde o tiroteio.

No incidente de ontem, a proprietária da mina, Gold One International Ltd, disse que cerca de 60 trabalhadores em sua instalação de Modder East promoveram uma greve ilegal, bloqueando a entrada de metade de seus funcionários em seus turnos.

“O grupo, no entanto, recusou-se a dispersar. O Serviço da Polícia Sul-Africana teve de usar gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar o grupo”, disse a companhia em um comunicado.

A porta-voz da polícia Pinky Tsinyane disse que quatro pessoas foram feridas no incidente, descrito por ela como uma “disputa” entre ex-mineiros e guardas.