10 de julho de 2026
Geral

Drama da água seguirá por 45 dias

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Quioshi Goto

José Carlos e Marcelo protestaram na Praça da Bíblia

Mais de 45 dias sem abastecimento de água normalizado. É assim que ficarão cerca de 35 mil moradores de dez bairros de Bauru, que já estão com sérios problemas no fornecimento de água desde que o revestimento de aço do Poço Roosevelt 2 (UP-39) se rompeu na última sexta-feira, conforme divulgado ontem pelo JC.

Na tarde de ontem, o diretor de Divisão de Produção e Reservação de Água do DAE, Igor Fournier, esteve na sede do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) para avaliar os custos da instalação de um novo poço - única forma encontrada para solucionar o problema - em caráter emergencial.

O pesadelo da falta d’água que assombra a população dos bairros Fortunato Rocha Lima, Parque Jaraguá, Parque Santa Edwirges, Jardim Petrópolis, Parque Roosevelt, Jardim Progresso, Gerson França, Parque União, Jardim Rosa Branca e Jardim Vânia Maria está longe de terminar, apesar da procura por uma solução por parte do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru.

“Em uma conversa preliminar no DAEE, já foi apresentada a necessidade da perfuração de um novo poço no mesmo local, em área contígua ao poço existente. Existe método para corrigir, só que qualquer método corretivo implica na diminuição de vazão do poço, que vai produzir menos. Além disso, existe a possibilidade disso ocasionar outro problema. A análise do custo-benefício e uma medida mais perene é a perfuração de um novo poço”, explicou Fournier sobre o Poço Roosevelt 2, que já tem 14 anos de existência.

 

Emergência

A caracterização do fato como emergência pode desburocratizar os procedimentos normais de contratação de uma empresa para fazer a perfuração do poço, o que agiliza a obra, conforme explica Fournier. No entanto, para ter a autorização do corpo jurídico do DAE para que a obra seja feita sem licitação, é necessário estar com o projeto do DAEE em mãos.

“Como é uma atitude que vai demandar um gasto grande, de impacto sobre a sociedade, exige uma análise mais aprofundada. Eles (DAEE) já sinalizaram para a necessidade de um novo poço. Ocorre que todos os projetos nossos são elaborados pelo DAEE, que pediu um prazo. Vamos tentar até o final desta semana, quinta-feira, passar um projeto para o (jurídico do) DAE para que possa contratar uma empresa. Essa questão da emergência facilita, mas não é qualquer situação que caracteriza emergência. Isso será analisado pelo corpo jurídico do DAE”.

Enquanto o problema não é solucionado, o DAE colocou em funcionamento o Poço Bauru 16, conforme noticiado pelo JC, para ajudar no abastecimento prejudicado dos dez bairros citados, já que foi criado para ampliar a capacidade de abastecimento justamente do Poço Roosevelt 2. A previsão é de que o novo poço seja perfurado e comece a funcionar 45 dias após a apresentação do projeto ao DAE.


Sem água, ‘banho’ é de protesto

À medida em que o abastecimento de água não é normalizado nesses bairros, a população, indignada com a situação, encontra suas maneiras de expor o problema. Na tarde de ontem, José Carlos Posca, 61 anos, morador do Jardim Vânia Maria, tomou banho, pela segunda vez neste ano, na Praça da Bíblia. Seu amigo Marcelo Alexandre Faqueti o apoiou.

“É um absurdo, estamos fazendo isso por indignação. Esse problema se arrasta há anos e ninguém resolve. Estou sem água desde quinta-feira na minha casa. Como vou chegar do trabalho e ficar sem tomar banho?”, questiona.


Agosto foi o mês mais seco por 4 anos

Segundo dados do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp de Bauru, no período analisado de uma década, nos anos de 2004, 2007, 2010 e 2012 o mês de agosto fechou com precipitação zero, ou seja, sem registros de chuva. Segundo o meteorologista Bruno Medina, a média de precipitação do mês é de 34 milímetros (mm).

“A média já é considerada baixa. O mês de julho fechou com 11,4mm de precipitação acumulada, quando a média é de 39mm. Agosto fechou com zero. Existe uma massa de ar seco atuando que influencia um pouco nisso.”

A previsão de chuva para Bauru apontada pelos radares do IPMet é apenas para a segunda quinzena de setembro. Ontem, Bauru chegou a 48 dias de estiagem.