Sabidamente, a situaçao econômica de alguns países europeus é preocupante. A crise atinge, indistintamente, todas as camadas sociais e o desemprego está em alta. Por via de consequência, a produção e o consumo estão em baixa. Os países mais endividados buscam soluções objetivas para equilibrar suas contas. No caso específico da Itália, logo após a "renúncia" de Silvio Berlusconi, o chefe de Estado Giorgio Napolitano nomeou o economista Mario Monti como presidente do Conselho de Ministros. Com sólida formação na área econômica, Monti compôs um governo essencialmente técnico. Ou seja, se propos a fazer o que tem de ser feito. Técnica e objetivamente.
Implica dizer que, em princípio, nenhum membro do governo atual tem pretensões politicas. Até porque as providências tomadas são impopulares e vão na contramão da cultura política. São decisões tão amargas quanto necessárias. E, a julgar pelas referências elogiosas da chanceler alemã Angela Merkel, Monti e sua equipe estão no caminho certo.
Do exposto temos que, em virtude de uma situação atípica do ponto de vista político-administrativa, um governo político foi substituído por outro com forte direcionamento técnico, eficaz e probo. Seria o caso de alguma instituição nacional tomar medida semelhante no Brasil, não necessariamente por conta de critérios econômicos senão por razões éticas, morais e políticas? Inclusive para evitar um novo 1964?
Edison M. Maitino - Milão, Itália