Bogotá - O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, confirmou ontem os diálogos de paz com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), mas disse que as operações militares continuarão no país durante o processo.
Santos ratificou a data dos primeiros encontros para a primeira quinzena de outubro, em Oslo, na Noruega. O mandatário informou que as negociações para o acordo começaram há um ano e meio e o primeiro encontro com os representantes da guerrilha foi há seis meses, em Havana.
As negociações terão o acompanhamento de Cuba, Noruega e Venezuela, a quem agradeceu por serem anfitriões e garantidores do processo de paz. Apesar do otimismo, o presidente afirmou que as negociações serão difíceis e que a agenda usada será fechada. Isso significa que, caso uma das partes não concorde com os avanços, a negociação será parada.
Ele também confirmou a manutenção das operações militares, “com a mesma ou mais intensidade”. “Não podemos compactuar com a violência e as ações contra o povo colombiano”.
Santos pediu “paciência e força” ao povo colombiano para que enfrente um possível aumento de ações violentas devido às ações do governo durante as negociações.
Resposta
O líder máximo das Farc, Rodrigo Londoño, criticou a decisão do governo em manter as operações militares mesmo com o início dos diálogos de paz.
Conhecido como Timoleón Jiménez ou Timochenko, ele fez um pronunciamento em um vídeo gravado que foi exibido durante apresentação dos membros da negociação das Farc em Havana, capital cubana. O chefe guerrilheiro fez referência ao ex-presidente Andrés Pastrana, que começou as operações militares, a quem acusou de “jogar fora a oportunidade de discussão de paz”.
Ele atribuiu ao governo de Juan Manuel Santos a demora para o início do processo de paz, que levou dois anos para chegar ao acordo.
“Nesse período, sofremos a emboscada preparada pelo Estado. Foi um mecanismo oficial para ganhar tempo.”