Bauru superou ontem a cifra de R$ 500 milhões em impostos federais, estaduais e municipais pagos por todos os moradores desde o dia 1 de janeiro deste ano. O valor já superou a arrecadação registrada no mesmo período do ano anterior, que foi de R$ 449.091.759,12 entre os dias 1 de janeiro e 4 de setembro de 2011.
Os dados são do “Impostômetro”, ferramenta lançada pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) em abril de 2005 e que contabiliza, além dos impostos, taxas e contribuições como multas, juros e correção monetária.
O presidente da Associação Comercial de Bauru (Acib), Reinaldo Cafeo, considera o número expressivo, principalmente porque ainda faltam quatro meses para terminar o ano. Segundo o site www.impostometro.com.br, até ontem cada morador de Bauru havia pago R$ 1.481,65 em tributos.
“Estes números representam a dimensão do peso do setor público na economia nacional. Isso em todas as esferas de governo. O setor privado lamenta que a arrecadação seja elevada e os gastos em investimentos aquém das necessidades. O gasto em custeio, na manutenção da máquina pública, consome volumes expressivos, levando-nos a questionar se o modelo atual garantirá crescimento sustentável”, afirma o economista.
Pelos cálculos do Impostômetro, com o valor de R$ 500 milhões pagos até ontem (à noite já ultrapassava R$ 502 milhões) é possível pagar 808.251 salários mínimos, comprar 418.944 notebooks, construir mais de 36.430 salas de aula equipadas, contratar mais de 31.226 policiais por ano, fornecer medicamentos para toda a população brasileira por 195 meses e pagar durante 34 meses a conta de luz da população do País.
Invisíveis
Conforme avaliação anterior feita ao JC por Reinaldo Cafeo, entre todos os tributos pagos pela população, os mais danosos são os “invisíveis”. “Os impostos embutidos nas mercadorias, os chamados indiretos, são os que mais afetam o bolso. Eles atingem todo mundo da mesma maneira. Ou seja, quando uma pessoa com bastante dinheiro compra algo, ela paga o mesmo tanto em impostos que outra pessoa sem tanto dinheiro”, disse o economista em entrevista recente.
Entre as cobranças indiretas mais danosas, ele aponta exatamente o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
Atualmente, o produto menos taxado do País é a batata, que tem 11,22% de impostos embutidos no seu valor final. Arroz, feijão, café, cebola, frango, leite, macarrão, milho, queijo, tomate, farinha de trigo, pão francês e pão de forma estão entre os produtos básicos, cujo preço pago pelo consumidor traz menos de 20% em tributos. Os preços de frutas, óleo de cozinha, leite em pó e ovos, porém, têm entre 20% e 28% de impostos agregados.
A população pode visualizar o Impostômetro em tempo real por meio do site www.impostometro.com.br. O portal conta com dados desde 2000, ilustrados com imagens, informações e infográficos que facilitam o entendimento das informações.