Em redutos tradicionais, os tucanos paulistanos estão sentindo "na pena" uma espécie de "salve-se quem puder" se olharmos pela ótica de antigos eleitores militantes dos emplumados como Ana Valéria, 51 anos, diretora de escola, moradora de Pirituba que afirma: "Agora chega! Para mim ele - Serra - acabou! No PT não voto. Nessa eleição, vou votar no Russomano!" Marco Antonio Teixeira, da FGV-SP, diz: "Russomano é menos uma opção de voto e mais uma falta de opção". Amuado com Serra e avesso ao PT, esse eleitorado aponta para o candidato do PRB como alternativa a Fernando Haddad. Para o cientista político Carlos Melo, o desgaste da polaridade entre PT e PSDB em São Paulo e outras cidades médias do estado, além do escândalo do mensalão petista e o acordo do PT com Paulo Maluf, podem estar beneficiando Russomano.
Serra, com toda simpatia que transpira pelos poros bem como nas palavras afetuosas que diariamente são expelidas em alto e bom som, não imaginava jamais estar surfando no pior dos infernos. Em apenas 10 dias do início da propaganda eleitoral pela TV, seu percentual de líder nas pesquisas, já está agora disputando o segundo lugar com Haddad, de acordo com o último Datafolha. E pior, Serra na descendente e Haddad na ascendente.
É divertido para o observador recordar que na Convenção tucana os emplumados usaram e abusaram do direito de mudar as regras do jogo quando o jogo já estava sendo jogado só para satisfazer exigências impostas para Serra aceitar a indicação como candidato, isso após meses e meses procrastinando e sempre declarando que não seria candidato. Houve reação dos 4 candidatos oficiais, porém todos eles devidamente enquadrados no tempo afim de que o desejo serrista fosse atendido. Vencedor da Convenção e indicado candidato oficial, agora administra à seu modo pessoal ou seja, sem delegar, -a característica de não delegar aos colaboradores da campanha- provocando com essa atitude já deveras conhecida de antigos carnavais, a caminhada inexorável para a aposentadoria política.
Qualquer semelhança com a estratégia tucana de lá com a de cá, talvez seja uma terrível coincidência, porém o mandachuva de cá, além de ser um dos deputados mais votados na última eleição, também é o presidente do PSDB no Estado e não fazendo uso dessas importantes prerrogativas não impôs ao tucanato local o candidato do partido na disputa da prefeitura. Preferiu o descompromisso político com a indicação de um vice, o que certamente lhe será cobrado no futuro. Aguardemos futuras aposentadorias políticas na província.
Nicanor Amaro da Silva Neto