09 de julho de 2026
Nacional

Energia com custo menor vai ajudar produção industrial


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Brasília - A redução na tarifa de energia elétrica permitirá um aumento na produção industrial e reduzirá a inflação, afirmou ontem o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.

Segundo ele, o menor custo da energia significará um “arranque na produção (industrial)” e terá impacto positivo em uma taxa menor de inflação.

“Com certeza a energia com preço reduzido, tanto para as pessoas como para as empresas, vai significar um arranque na produção e vai ter um impacto positivo em uma taxa menor de inflação”, disse o ministro ao final das comemorações para do Dia da Independência, em Brasília.

Na véspera, a presidente Dilma Rousseff anunciou que o governo abrirá mão de encargos federais sobre a tarifa de energia, o que resultará numa redução média de 16,2 por cento nas tarifas de energia pagas pelo consumidor residencial, e de até 28 por cento de redução para o setor produtivo.

Segundo ele, o governo acredita nesse arranque da produção porque há condições que garantem o aumento do consumo no país.

“Temos uma coisa preciosa, que é o mercado de consumo, o emprego está quase pleno, as pessoas têm poder aquisitivo, os salários estão aumentando ainda. Se tiver um impulso, a produção com certeza vai crescer bastante”, analisou Bernardo.

A ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, evitou dar mais detalhes sobre os planos do governo para reduzir a conta de energia. Apenas disse que as mudanças valerão a partir de 2013 e que na próxima terça-feira Dilma fará o anúncio oficial da medida.

 

Fiesp se identifica

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) afirma, em nota, que o anúncio da presidente Dilma Rousseff em seu pronunciamento oficial, anteontem à noite, vem ao encontro da campanha da Federação no que se refere a proporcionar um desconto de 16,2% para os consumidores residenciais e até 28% para o setor produtivo na conta de luz. “A Fiesp, há um ano e meio, vem defendendo incansavelmente a redução do preço da energia no País, um dos mais importantes componentes do Custo Brasil e que afeta linearmente todos os brasileiros”, diz a Fiesp na nota.

A Federação diz também que a campanha Energia a Preço Justo pede que o governo cumpra a Constituição e realize os leilões das concessões do setor elétrico, que vencem a partir de 2015, “de forma a garantir que o País possa usufruir as vantagens de poder produzir energia da forma mais barata que existe, nas hidrelétricas”. “Não há sentido em pagar a terceira conta de luz mais cara do mundo”, diz Paulo Skaf, presidente da entidade, também na nota.

 

Privatização da Cesp

A privatização da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) pode ser inviabilizada pelas medidas de redução de tarifas de energia elétrica, na avaliação do diretor do Centro Brasileiro de InfraEstrutura (CBIE), Adriano Pires. Segundo ele, dependendo de como será definida a redução tarifária e sua relação com a renovação das concessões, a Cesp poderá deixar de ser atrativa para investidores privados.

Para Pires, é temeroso que o governo utilize o momento em que as concessões de geração e distribuição de energia elétrica estejam vencendo para reduzir as tarifas. Condicionar a renovação da concessão a uma queda nas tarifas por parte das empresas pode gerar problemas.

Adriano defende ações também para eficiência energética. Além disso, o diretor da CBIE, Adriano Pires, alerta que a medida - de reduzir em média em 16,2% as tarifas cobradas dos consumidores residenciais e de até 28% da indústria - acontece em período de eleições.

“A redução do preço da energia elétrica é positiva porque esse tem sido um obstáculo para o setor industrial. É um dos maiores preços do mundo. Mas esta redução não pode ser feita de forma populista, antes de uma eleição”, disse.