A falta de orientação correta em relação ao horário de vacinação nas unidades básicas de saúde de Bauru fez com que alguns pais deixassem de imunizar seus filhos na primeira fase da Campanha Nacional de Atualização de Vacinação Infantil de Crianças, encerrada há duas semanas.
É o caso de Nivaldete Viola Mishihara. Ao chegar ao Posto Bela Vista, às 16h30, para vacinar o neto de 1 ano, recebeu a informação de que o horário de vacinação era até as 16h e não até as 17h, conforme divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde, por meio da assessoria de imprensa da prefeitura. “Eles informaram que a vacina precisava ser preparada, e, pelo horário, não seria mais possível. Um pai até ameaçou chamar a polícia, mas, mesmo assim, o meu neto e mais crianças que estavam no local não foram atendidos”, relata.
Até o dia 26 de agosto, a informação oficial aos interessados em regularizar a caderneta de vacinação dos pequenos era para se dirigem aos postos das 8h às 17h, horário de funcionamento das unidades. Só a partir daquela data, quando o JC recebeu a denúncia, é que o horário foi alterado para as 16h – uma hora antes do encerramento das atividades.
Via-sacra
Sem ser alertada, Rosana Quinaia Nunes, por exemplo, foi a três postos de saúde diferentes para ter a filha vacinada. Na primeira tentativa, a mãe relata que chegou ao Posto Beija-Flor, às 16h40. Na ocasião, recebeu informação de que precisaria chegar às 16h para retirar uma senha, e, só depois, ter a filha atendida. No Posto da Vila Cardia, a mãe recebeu a mesma orientação.
Na terceira e última tentativa, Rosana Nunes conseguiu atendimento para a filha no Posto Redentor, unidade longe de sua residência e trabalho, mas que funciona até as 19h. “Cheguei ao local às 17h e não encontrei nenhum problema, mas antes liguei em todos os postos para saber qual atendia até mais tarde”, relata a mãe.
A assessoria de comunicação da Prefeitura informou que, realmente, alguns postos fecham às 17h, mas o recomendado era que as pessoas chegassem até as 16h; já nos locais cujas atividades terminam às 19h, a procura não pode ultrapassar as 18h. “Como são 15 vacinas, e várias delas precisam ser preparadas, os postos estavam com o problema de estourar o horário de atendimento, pois muitas pessoas chegavam às 17h, acarretando em hora extra e também prejudicando compromisso dos funcionários”, explica a assessoria.
Essa recomendação, porém, não foi divulgada pela Secretaria Municipal de Saúde até o dia em que a reportagem procurou a prefeitura. “Não sabia. Se a gente soubesse do horário certo, tudo seria mais tranquilo”, critica Nivaldete Mishihara.
Rosana Nunes também não recebeu a orientação e se diz insatisfeita com o serviço prestado. “Eles divulgam que a campanha vai até as 17h. Imagine uma mãe em uma situação pior que a minha, porque eu ainda tenho carro: tem de pegar ônibus e, chegando lá, não é atendida. É uma situação delicada”, comenta.
Expectativa frustrada
A assessoria de comunicação reconhece que a Secretaria Municipal de Saúde esperava um fluxo maior crianças no sábado, dia 18 de agosto, quando aconteceu o Dia Especial de Vacinação. Na ocasião, cerca de 4.400 crianças compareceram às unidades básicas de um total estimado em 20 mil, informa a assessoria de imprensa. Ao todo, 400 funcionários foram disponibilizados pela pasta exclusivamente para vacinação, justamente para atender quem trabalha durante a semana.