08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Que lei é essa?


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Estupefação, indignação, impotência é tudo o que sente a pessoa ao ler notícia como essa (JC de 6/9). É a revolta íntima que faz o cidadão de bem sentir nojo das mal formuladas leis deste país, insuficientes para conter todas as facetas de uma ocorrência. Leis que se contradizem, dando margem às mais variadas interpretações. No cipoal das interpretações, é muito mais razoável, em determinadas circunstâncias, passar por cima do sentido frio das palavras, buscando interpretação mais coerente com a lógica do fato do que praticar injustiça. Imagino a revolta desse pai de família depois de amarrado, juntamente com seus filhos, humilhado, ameaçado de morte, vendo seus bens sendo carregados por vagabundos e sua esposa ser baleada, ao esboçar reação, ainda ser detido, mesmo possuindo porte de arma, simplesmente porque a arma que usou para repelir os facínoras estava irregular. Se a arma estava irregular ou não, era assunto para posterior averiguação, e não no calor dos acontecimentos. Ou será que o cidadão, dispondo do único recurso que tinha à mão, deveria deixar de usá-lo e ver os bandidos dirigirem-se ao carro e acabar de matar sua esposa? Será que temos de entregar o pescoço ao bandido pacificamente? Não está longe o dia em que um oficial de Justiça deixou de cumprir ordem de despejo ao se deparar com a triste situação em que se encontrava a família a ser despejada. Quem teria cumprido verdadeiramente a lei: aquele ao deter precipitadamente o cidadão que tentava defender sua família ou este que, num rasgo de discernimento e coragem, deixou de pôr uma família na rua? Louvável tem sido o trabalho policial nos últimos acontecimentos desta cidade, mas este é de entristecer.

Roldão Senger