08 de julho de 2026
Geral

Passeata pede punição a motorista

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

Pederneiras - A morte trágica em um acidente de trânsito das jovens Chrissieli Zampieri de Moraes, 25 anos, e Larissa de Moura Franco da Rocha, de 20 anos, saiu das estatísticas envolvendo motorista embriagado para entrar na luta do movimento “Não foi acidente”. Mais de 200 pessoas caminharam na manhã de ontem no Centro de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) para sensibilizar os moradores e obter assinaturas em uma petição para tornar a legislação de trânsito mais rigorosa.

Com carro de som e portando faixas e cartazes, familiares, amigos das vítimas e populares caminharam pedindo por justiça e endurecimento da lei. As primas Larissa e Chrissieli, moradoras de Pederneiras, morreram após uma colisão entre carros no último dia 28 de julho. O acidente provocou também a morte da balconista Fabiana Duque da Silva, 18 anos, e de uma outra mulher identificada como Iracema.

A mãe de Larissa, Vera Lúcia Aparecida de Moura, 47 anos, falou ontem com a imprensa pela primeira vez após 41 dias do trágico acidente que traumatizou sua família. Enquanto segurava a ponta de uma faixa, seu filho Lucas, irmão de Larissa, segurava a outra extremidade com a mensagem: Motorista bêbado e na contramão. Larissa e Chrissieli. Queremos Justiça”. Os nomes das primas mortas estavam destacado em vermelho.

Visivelmente abalada, Vera definiu que a mobilização pretende que a tipificação de homícidio culposo com dolo eventual seja modificada para punir o motorista com maior rigor. O culposo é quando o autor do crime não tem a intenção declarada de matar, mas assume o risco por causa de sua conduta indevida.

“O sentimento é de tristeza. A gente tem esperança que melhore, já que não melhorou para minha filha”, salienta a mãe. Ela acrescenta que casos como do acidente com motorista dirigindo na contramão e que vitimou Larissa são mais frequentes do que se imagina. Vera aguarda que o motorista que provocou o acidente não fique impune. “Ele está em liberdade”, lamenta.

A sobrinha de Chrissieli, a estudante Ingrid de Morais Nóbrega, 14 anos, citou que o momento é de “dor e saudade”. “É também de vontade de fazer justiça”, ressalta a estudante.

A amiga das duas vítimas e integrante do grupo que iniciou a mobilização, a policial militar temporária Caroline Silveira, 20 anos, confia que a mobilização irá mudar a legislação.

A passeata seguiu por pontos simbólicos da região central de Pederneiras. A concentração começou e partiu da frente do prédio da Câmara Municipal de Pederneiras, na rua Belmiro Pereira, passou pela avenida Tiradentes, uma das principais vias de acesso ao Centro, entrou na rua Siqueira Campos, passando na extensão do quarteirão da praça em que fica a Igreja Matriz de São Sebastião. Na sequência, o cortejo derivou para a rua Coronel Coimbra prosseguindo por outras vias da região central. Os organizadores iriam colher assinaturas no abaixo-assinado.

O documento já coletou, até a tarde de ontem, 600.508 adesões de um total de 1,3 milhão para o Projeto de Lei de Iniciativa Popular ser encaminhado ao Congresso Nacional. A proposta visa modificar as leis que integram o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) que trata das infrações administrativas, dos procedimentos administrativos e dos crimes de trânsito que envolva a embriaguez ao volante - lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997.

O “Não foi acidente” é um movimento idealizado pelo engenheiro eletrônico Rafael Baltresca após trágico acidente ocorrido em 2011 envolvendo sua mãe e sua irmã, atropeladas e mortas por um motorista embriagado num shopping da Capital paulista, o movimento “Não foi acidente” pretende recolher 1,3 milhão de assinaturas. A petição está disponível no site www.NaoFoiAcidente.org.

 

Relembre

As mortes das quatro jovens foram causadas após um Fiesta, de Bauru, bater de frente com um Gol, de Pederneiras, onde viajavam as primas Chrissieli Zampieri de Moraes, 25 anos, e Larissa de Moura Franco da Rocha, de 20 anos. O acidente ocorreu na rodovia Comandante João Ribeiro de Barros em Bauru (SP-225), a Bauru-Jaú, na noite do sábado, 28 de julho. Conforme matéria do JC no último dia 29, o motorista do Fiesta, Davi Machado da Silva, 52 anos, é acusado por homicídio por dolo eventual por ter provocado o acidente ao dirigir na contramão. Ele teria ingerido bebida alcoólica antes de ir para a estrada.  Outras quatro pessoas ficaram feridas no acidente envolvendo os dois veículos.