08 de julho de 2026
Nacional

Cenário é de otimismo com o aumento de vagas de emprego

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

Há vagas. Sonhado por muitos desempregados em tempos de “vacas magras” no mercado de trabalho, o anúncio atualmente é figura fácil em Bauru. Basta percorrer o centro da cidade e cartazes em busca de candidatos a postos de emprego, principalmente no comércio, podem ser vistos sem gastar muito solado de sapato.

O crescimento nos últimos anos, atrelado à resiliência da própria economia nacional às intempéries financeiras em outros países, gera alta expectativa de contratações em Bauru para o segundo semestre. Daqui até dezembro, ao menos conforme os ditames do mercado, a temporada de contratações estará aquecida.

Em Bauru, o carro-chefe da temporada de contratações segue a cargo do setor de serviços. Seguido pelo comércio, o filão, de acordo com números da Secretaria Municipal do Desenvolvimento Econômico, é responsável por quase metade das contratações formais. Apenas no primeiro semestre deste ano, foram criados 4.132 postos com carteira assinada, de acordo com a pasta.

Até dezembro, ainda conforme a secretaria, a expectativa está em torno de 4,5 mil novas vagas, com registro em carteira, na cidade. “A área de prestação de serviços nunca fechou com balanço negativo”, observa Tatiana Rosária Rodrigues, diretora da divisão de serviço da pasta municipal. Somente ano retrasado, lembra ela, dos mais de 116 mil postos formais, mais de 52 mil eram gerados pelo setor.

O crescimento da economia local nos últimos anos, que gera bons prognósticos para o segundo semestre, chegou a ser destaque, ano passado, também na mídia nacional. Em estudo realizado pela revista Veja, de novembro de 2011, Bauru aparece em quarto lugar no ranking de empregabilidade entre municípios brasileiros, com crescimento de 13,7%.

Para a diretora da secretaria municipal, essa condição é reflexo do que ela denomina “pulverização” de campos de atuação. “Se a indústria de transformações, por exemplo, sofre altos e baixos, temos o comércio forte, assim como a construção civil. Desta forma, um setor supre o outro que, eventualmente, enfrente dificuldades”, ilustra.

Há vagas

No estudo divulgado pela revista no ano passado, eram apontadas oportunidades para candidatos plenamente preparados para as vagas. Apesar de disponíveis, as chances exigem qualificação. E é aí que surgem as dificuldades para preenchimento de toda a demanda. “As perspectivas quanto às vagas efetivas abertas são otimistas. A questão é qualificação”, salienta Alexandre Ciro Perin Bertoni, diretor regional do Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT), órgão vinculado à Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho (Sert). “Gente de outras regiões, inclusive, são atraídas para cá”, salienta, destacando programas de qualificação mantidos pelo órgão para absorção de recursos humanos locais, entre eles o Programa Estadual de Qualificação, junto ao Centro Paula Souza. “Mas há muitas vagas que esperam preenchimento”, reforça, citando. Mensalmente, o PAT/Bauru disponibiliza, em média, 600 ofertas de emprego. Desse montante, contabiliza Bertoni, cerca de 30% não são preenchidas e entram nas disponibilizações do período seguinte. Prestação de serviços e comércio, especifica, também predominam entre as oportunidades de trabalho anunciadas no órgão estadual. Para ele, a expansão do mercado de trabalho é fruto do crescimento inerente ao próprio interior paulista – com a saturação da capital --, com Bauru em situação privilegiada quanto à localização centralizada e estrutura logística. “O interior se tornou muito atrativo. Na Grande São Paulo, atualmente, há dificuldades logísticas, com malha saturada. Temos estrutura, estradas e localização. Há uma migração para cá. Vivenciamos uma fase diferenciada”, analisa.