08 de julho de 2026
Polícia

Homem ameaça pessoas com faca

Marcele Tonelli com Redação
| Tempo de leitura: 5 min

Neide Carlos

Cacceris pegou uma faca no açougue do estabelecimento e ameaçou vários clientes

Em um ataque de fúria, um homem de 28 anos provocou pânico em clientes e funcionários de um supermercado no Parque São Geraldo, na manhã de ontem, em Bauru. Em posse de um facão pego no açougue do próprio estabelecimento, Renato Pereira Cacceris ameaçou clientes, seu irmão e fez uma mulher de 62 anos refém por alguns minutos.

Sedado, após ser contido por um disparo de choque elétrico efetuado pela Polícia Militar (PM), ele foi encaminhado para o Pronto-Socorro Central (PSC), onde foi atendido e recebeu alta médica ainda na tarde de ontem. Além do acusado, que teve um corte em uma das mãos, ninguém ficou ferido.

À tarde ele prestou depoimento no Plantão da Polícia Civil e liberado após a elaboração de um boletim de ocorrência (BO) por constrangimento ilegal e porte de arma.

“Eu dei o dinheiro para ele comprar algumas coisas e fiquei esperando no carro. Escutei uma gritaria dizendo que tinha uma pessoa armada lá dentro ameaçando uma mulher, e quando fui ver, era ele”, conta o irmão do rapaz, o pecuarista Diego Pereira Cacceris, 30 anos, que atribui o fato à abstinência de drogas do irmão, que segundo ele, seria usuário de crack.

Segundo detalharam pessoas que estavam no supermercado no momento do ocorrido, era por volta das 10h quando Renato teria pulado o balcão do açougue e, logo em seguida, agarrado uma mulher que estava fazendo compras. (leia mais abaixo)

“Ele estava fazendo compras normalmente com um carrinho e, de repente, pulou o balcão, pegou a faca e já agarrou a moça. O açougueiro saiu correndo para avisar. Todos no supermercado se assustaram e eles chamaram a polícia, mas a mulher conseguiu se soltar antes”, detalha a condutora escolar S.S.C., 50 anos, que preferiu não ter seu nome identificado.

 

Mais de uma hora

Por mais de uma hora, a cena que se observava dentro do estabelecimento era a presença de policiais e funcionários próximos às gôndolas das carnes, aos fundos do supermercado, tentando acalmar e fazer com que Renato entregasse a faca com uma lâmina de cerca de 40 centímetros, utilizada para o corte de carnes.

Na ocasião, mais de 50 pessoas que estavam fazendo compras precisaram evacuar o prédio, que teve as portas fechadas. Na negociação, realizada pelo capitão da PM Fabiano Serpa, o rapaz não dizia nada e apenas gesticulava. “Ele se mostrava nervoso e fazia gestos desconexos, mas não conversava com ninguém”, reforça o capitão.

Na intenção de contê-lo, Diego se aproximou do irmão pedindo para que ele soltasse a faca, mas também acabou ameaçado.


Choque

A situação aos fundos do supermercado durou cerca de uma hora e meia, até que os policiais utilizaram uma arma de choque elétrico não letal, chamada Taser, para imobilizar o rapaz, que caiu no chão.

“Em um plano B, preparávamos tiros com balas de borracha, mas não foi preciso”, informa o capitão Serpa sobre a operação, que envolveu mais de dez policiais.

Contido, Renato Cacceris foi algemado, medicado por uma equipe médica do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado para o Pronto-Socorro Central (PSC), onde passou por uma avaliação e acabou liberado aos policiais, após acordar livre do possível surto psicótico.

 

Para irmão do agressor, crise foi por abstinência

Renato Pereira Cacceris é morador de uma fazenda na zona rural de Bauru e foi descrito por seu irmão, Diego Cacceris, como uma pessoa nervosa e usuária de drogas.

“Ele vive se envolvendo em brigas e arrumando problemas. Já capotou e perdeu três carros. Ele nunca trabalhou, por isso não dá valor para o que tem. Essa semana inteira ele não saiu da fazenda e deve estar em abstinência da droga”, desabafa Diego Cacceris, afirmando que o irmão seria usuário de crack há pelo menos três anos.

Ainda de acordo com ele, Renato mora sozinho na fazenda da família desde que os pais morreram, há alguns anos e, ontem, ele teria ido ao supermercado para auxiliar o irmão nas compras e para passear na cidade.

Segundo Diego, Renato não teria apresentado excesso de raiva ou algum indício que sugerisse um surto, mas teria prometido anteontem para a avó que viria para a cidade para fazer um ‘trabalho’. “Ele falou que ia fazer um ‘negócio’ hoje (ontem), e acho que ele poderia estar falando sobre isso”, sustenta o irmão do rapaz.

 

Minutos de terror

Era mais um dia como outro qualquer para a dona de casa Jandira Bueno Ferreira, 62 anos, que ao fazer suas compras do mês no supermercado na manhã de ontem, não esperava estar no lugar errado, na hora errada.

Ameaçada com uma faca de açougueiro nos momentos iniciais do surto de Renato Cacceris, a dona de casa, que tem pressão alta, relata os minutos de pânico que viveu nos braços do rapaz.

“Eu estava fazendo compras e ele me pegou por trás. Quando virei, ele colocou a faca no meu pescoço e disse: ‘Fica quieta senão vou te matar’. Foi um terror. Achei que fosse morrer ali”, lamenta a mulher, que ao se debater conseguiu alcançar o cabo da faca, puxar e sair dos braços do acusado, que permaneceu no local ameaçando, em silêncio, os outros clientes.

Por conta do susto, a mulher precisou ser levada por uma viatura da PM para um posto de saúde do bairro para ter sua pressão arterial controlada.

 

Segurança

Por conta do ocorrido, o trânsito ao entorno do supermercado precisou ser interrompido para o trabalho das equipes médicas do Samu. Enquanto isso, dezenas de pessoas se para acompanhar o caso.

O supermercado ficou fechado até o término da perícia realizada pela Polícia Científica, depois foi liberado para a entrada dos clientes.

O estabelecimento, que possui seguranças, foi procurado para falar sobre o caso.

“Tomamos as providências necessárias no momento do ocorrido. Felizmente não aconteceu nada mais grave. Foi uma situação impossível de prever, mesmo com toda a segurança”, afirmou a equipe de comunicação do mercado ao JC.

 

Outros casos

O surto de Renato Cacceris entra para as estatísticas do município como o terceiro deste ano, que no último dia 29 de agosto registrou outro caso de um segurado do INSS que, fora de controle por acreditar ter benefícios negados pela agência, atirou garrafas semelhantes a coquetel molotov nas dependências do prédio, localizado centro da cidade.

Após o ataque, Sérgio Vieira Costa foi encaminhado para o hospital Thereza Perlatti, em Jaú.

Em julho deste ano, o carpinteiro Erisvaldo José dos Santos, 28 anos, descrito por companheiros de trabalho como uma pessoa tranquila e quieta, esfaqueou seis colegas de profissão e tentou se enforcar em uma árvore. O fato aconteceu em uma empresa no Distrito Industrial III de Bauru. Na ocasião, ele acabou sendo preso em flagrante por tentativa de homicídio.