09 de julho de 2026
Política

Purini e Chiara discutem por eleição

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

O possível uso para fins eleitorais da tribuna da Câmara Municipal foi o pano de fundo ontem para uma agressiva troca de farpas entre a candidata de oposição à Prefeitura de Bauru, Chiara Ranieri (DEM), e o líder governista Renato Purini (PMDB). O vereador acusou a colega de usar a condição de parlamentar para se autopromover e avisou para que ela tomasse cuidado e prestasse atenção no que falava.

A intervenção de Purini, potencializada por certa de grosseria, tirou a demista do sério. Ela já estava nervosa antes mesmo do fato. A intervenção do vereador se deu logo no início de sua fala, quando questionou o fato de Chiara estar sorrindo. “A senhora está achando graça e eu não estou”, afirmou.

Tudo começou com a irritação da candidata com declarações de cientistas políticas, publicadas em reportagem do Jornal da Cidade da última sexta-feira. Ela se incomodou com a observação de que a população estava desanimada com o processo eleitoral pelo fato de as campanhas abordarem sempre os mesmos temas.

“Eu espero que isso não mude. Só se fala dos mesmos assuntos porque eles não são resolvidos. Querem que a gente fale dos sonhos? Pessoas que se julgam entendidas estão profundamente enganadas e deveriam ir até àquelas que sofrem com esses problemas ou então ficar um dia sem água, por exemplo”, questionou.

Ainda mais exaltada, ela questionou a veracidade de números apresentados pela campanha de Rodrigo Agostinho (PMDB) e algumas ações pontuais apenas no ano de eleição, como a perfuração de poços de água.

Chiara foi mais além e prometeu que, a partir de agora, vai mostrar tudo o que fora prometido em 2008 e não foi cumprido até agora. “Parece que vivemos na Suíça e não em Bauru”, disse a vereadora, antes de ironizar o slogan “O compromisso continua”, utilizado pela campanha rodriguista.

 

Que portaria?

Em sua intervenção à fala de Chiara Ranieri, Renato Purini pontuou que muitas das coisas ditas pela oposicionista em tribuna deveriam se restringir ao seu programa eleitoral na televisão e embasou seu argumento em suposta portaria publicada pela Presidência da Câmara, acerca do período eleitoral.

A reportagem, porém, teve acesso ao conteúdo do documento, que não fala sobre uso de tribuna. Ele, na verdade, foca a utilização da estrutura da TV Câmara no período eleitoral, segundo o próprio presidente Roberval Sakai (PP) confirmou.

Renato também questionou Chiara pelo uso do termo ‘compromisso’ em sua fala, aumentando a indignação da vereadora. “Compromisso é de propriedade também? Tudo nessa cidade tem dono?”, questionou, irritada.

Ela aproveitou para se defender da acusação e dizer que vai, sim, utilizar a TV para aprontar as promessas não cumpridas de Rodrigo Agostinho. “Olha aí! Está praticamente chamando os telespectadores e ouvintes da sessão para acompanharem o programa dela”, reclamou Purini.

 

Só informal

A conduta supostamente inadequada de Chiara Ranieri (DEM) na tribuna da Câmara Municipal não deve gerar grandes consequências. O presidente do Legislativo, Roberval Sakai (PP), disse que vai advertir a colega apenas informalmente. Já na tribuna, pediu cautela aos parlamentares por conta do período eleitoral, mas ressaltou a liberdade que cada vereador tem para se expressar.

Renato Purini (PMDB) também não vai levar o caso adiante, solicitando, por exemplo, apuração pela Mesa Diretora. “Dessa vez, fica como um aviso. Na próxima, oficio”, declarou.

 

Segalla defende colega e clima ‘ferve’ de novo

José Roberto Segalla (DEM) não deixou barato as acusações de Renato Purini (PMDB) contra a colega de partido, Chiara Ranieri (DEM). O vereador afirmou que o líder do governo não é corregedor da Câmara Municipal, não tem cadeira na Mesa Diretora nem o direito de censurar a fala de qualquer parlamentar.

“Da próxima vez, o vereador deve se dirigir à Mesa. Há o direito constitucional de liberdade de expressão”, pontuou Segalla, que também ocupa o cargo de segundo secretário do Legislativo.

O demista criticou ainda o excesso de rigidez em relações eleitorais. “Senão, quem elogiar a administração estará fazendo campanha”, questionou.

Purini pediu um aparte, mas o tempo de Segalla já havia sido extrapolado. Mesmo assim, o líder do governo repetiu que assinava em baixo tudo o que tinha dito anteriormente.

Por conta disso, o peemedebista foi criticado por Marcelo Borges (PSDB), que chamou Roberval Sakai (PP) de demasiadamente democrático por permitir este tipo de intervenção. “Quem estiver incomodado, que vá à Justiça Eleitoral”, disparou o tucano.

 

Inscrições

Mais tarde, Segalla foi acusado por Fabiano Mariano (PDT) de manipular as inscrições dos parlamentares para a explicação pessoal. Esse é o tempo de 5 minutos a qual cada vereador tem o direito de falar após a votação dos projetos. Esses discursos encerram a sessão legislativa e, segundo o pedetista, o demista fez uma manobra para que sua colega Chiara fosse a última a falar.

Segundo Mariano, a motivação do suposto ato seria não permitir que Purini ou qualquer governista rebatesse novos ataques da vereadora-candidata. O parlamentar chegou a pedir a Roberval Sakai, na tribuna, para que a política de inscrições fosse alterada a partir da semana que vem. Segalla é quem tem o controle atualmente por ser o segundo secretário da Mesa. “Ele tinha perguntado pra Chiara se ela iria falar. Ela disse que sim, mas ele esperou eu me inscrever, no último minuto, para depois colocar o nome dela”, contou.

Segalla negou a manobra, dizendo não ver motivo para agir dessa forma. “Tanto é que a Chiara dispensou o discurso e o Sakai foi o último, depois dela. Na primeira vez que perguntei a ela, ouvi a reposta de que, possivelmente, usaria a tribuna. Só depois confirmou”, defendeu-se.