São Paulo - Cinco animais do País - entre eles o maior primata americano, o muriqui - estão entre as 100 espécies mais ameaçadas de extinção. A lista, divulgada ontem pela União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN), traz animais, plantas e fungos de 48 países.
O estudo, realizado com a colaboração de mais de 8 mil cientistas da IUCN, foi apresentado no Congresso Mundial de Conservação que ocorre em Jeju, na Coreia do Sul. Mesmo sem um ranking ordenado, há casos como os do lêmure-gentil de Madagascar, um dos primatas mais raros do mundo, e da tartaruga gigante-de-carapaça-mole, da China, que possui apenas quatro exemplares conhecidos. “Apesar de o valor de algumas espécies poder não parecer óbvio, todas as espécies de fato contribuem à sua maneira para o funcionamento do planeta”, afirma Simon Stuart, presidente da Comissão de Sobrevivência das Espécies da IUCN.
No Brasil, além do muriqui do norte ou mono-carvoeiro (Brachyteles hypoxanthus), mereceram destaque o soldadinho-do-araripe (Antilophia bokermanni), encontrado somente no Ceará, e as borboletas Actinote zikani, específica de áreas de morro da Serra do Mar, e Parides burchellanus, do Cerrado. O mais raro de todos é o preá Cavia intermedia, cuja população tem somente de 40 a 60 indivíduos e é exclusiva da Ilha Moleques do Sul, próxima a Florianópolis (SC).
Com exceção do preá, reconhecido oficialmente pela comunidade científica em 1999, as quatro demais já tinham levantado bandeira vermelha.
Planos de ação
O alerta levou à produção de planos de ação para a conservação de cerca de 300 espécies a fim de minimizar seu grau de ameaça, mas, ao menos em relação a essas quatro espécies mencionadas agora, não houve grandes avanços, como mostra o próprio Instituto Chico Mendes (ICMBio), que monitora a biodiversidade nacional, em seu site.
O plano para as borboletas, por exemplo, lançado em 2010, ainda não teve nenhuma ação executada. “Ainda há um desconhecimento muito grande das espécies de borboleta existentes”, admite o professor André Freitas, do Departamento de Biologia Animal da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Segundo ele, dificilmente a Actinote zikani deixará a lista, pois vive numa área restrita dentro do Parque Natural Municipal Nascentes em Paranapiacaba, a cerca de 60 km de São Paulo. Já a Parides burchellanus é alvo de projetos em Minas Gerais e Brasília.
O plano para os muriquis, também lançado há dois anos, teve apenas duas ações concluídas, das 54 previstas, e outras duas estão em andamento. Mais da metade (57% ou 31 ações) não foi concluída no prazo ou não foi iniciada e 19 (35,2%) enfrentam problemas de realização.
O plano para o soldadinho-do-araripe, que segundo o estudo possui apenas 779 exemplares, ainda não foi monitorado sobre o andamento de suas ações.