Nessa quinta-feira (13), Bauru teve mais uma vítima fatal à espera de uma vaga em UTI. Aparecido Nelson Pinto, de 43 anos, morreu vítima de infarte na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Núcleo Mary Dota, enquanto aguardava transferência para um hospital. Foi o terceiro caso em dois meses.
Aparecido era lavrador em uma fazenda na região de Bauru e deixou esposa e três filhos. Segundo sua irmã, Nilza Belíssimo, Aparecido sentiu fortes dores no peito pela manhã da última quarta-feira (12) e foi levado por familiares ao Pronto-Socorro do Núcleo Mary Dota.
Aguardou por uma vaga na UTI do Hospital Estadual, mas não foi disponibilizada a tempo e a vítima entrou em óbito por infarte. “É um absurdo alguém esperar o dia todo por uma vaga na UTI. Meu irmão ficou 24 horas no Pronto-Socorro, sendo medicado, mas a vaga não saiu. Hoje, foi meu irmão, mas amanhã pode ser outra vítima”, afirma Nilza.
Ainda de acordo com Nilza, Aparecido já tinha um histórico de problemas cardíacos e já havia passado pelo médico. Segundo Nilza, a vaga na UTI seria primordial já que o coração de Aparecido estava fraco e no Pronto-Socorro não havia equipamentos para dar suporte ao irmão.
Além de Aparecido, só no mês de julho, Bauru registrou dois casos de mortes por falta de atendimento para uma vaga em UTI. Drielly morreu sem atendimento hospitalar com diagnóstico de colecistite aguda calculosa (pedra na vesícula). Ela sucumbiu a uma hemorragia depois de três dias de espera, possivelmente porque as pedras obstruíram o canal do pâncreas.
Além da estudante, na mesma semana, o aposentado Antonio Toledo, 76 anos, também faleceu no Pronto-Socorro Central, com suspeita de ter contraído gripe A (H1N1). Uma vaga de internação havia sido solicitada ao Hospital Estadual (HE) no dia 19 de julho, quatro dias antes de sua morte.
O que dizem os órgãos responsáveis
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, através do Departamento de Urgência e Unidades de Pronto-Atendimento, Aparecido Nelson Pinto, passou por atendimento clínico na Unidade de Pronto-Atendimento do Mary Dota e foi solicitada a vaga à central de regulação.
Entretanto, pela manhã, enquanto o paciente aguardava a vaga ainda não liberada, o mesmo apresentou piora do quadro e seu estado evoluiu para óbito.
A assessoria do Hospital Estadual (HE) informou que o hospital recebeu o pedido de vaga na enfermaria da Unidade Coronariana para Aparecido, às 11h do dia 12 de setembro. Porém, a assessoria informa que a unidade, que possui 19 leitos de internação, encontrava-se lotada por ocasião da solicitação e permanece sem disponibilidade de vaga.