08 de julho de 2026
Internacional

Crescem atos anti-EUA no Oriente Médio

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Jerusalém -  Ainda sob o impacto do assassinato do embaixador americano na Líbia, protestos contra um filme anti-islâmico produzido nos EUA continuaram se espalhando ontem pelo Oriente Médio.

Sob gritos de slogans islâmicos, centenas de pessoas atacaram a embaixada americana no Iêmen.

Forças de segurança abriram fogo e quatro manifestantes foram mortos, mas outros conseguiram pular o muro da embaixada e arrancar a bandeira americana.

A crise deflagrada pelo filme “A Inocência dos Muçulmanos”, que satiriza o profeta Maomé, fundador do islã, começou com protestos no Egito na segunda-feira.

Eles se repetiram na Líbia, onde terminaram com a morte do embaixador americano, depois no Marrocos, na Tunísia e no Sudão, e hoje chegaram ao Irã e ao Iraque.

Mas a série de ataques antiamericanos ainda parece longe da epidemia de violência de 2005, quando protestos no mundo islâmico contra caricaturas de Maomé num jornal dinamarquês deixaram mais de cem mortos.

A revolta contra o filme mistura-se às disputas e tensões que afloraram com a Primavera Árabe, a onda de revoltas que derrubou ditadores no Iêmen, na Líbia, no Egito e na Tunísia.

Na Líbia, aumenta a suspeita de que o protesto contra o filme foi um pretexto usado por radicais islâmicos para atacar o consulado americano em Benghazi. “A Primavera Árabe abriu uma caixa de pandora”, disse à reportagem Salman Shailh, diretor do centro de estudos Brookings de Doha. 

“Grupos fundamentalistas antiamericanos que antes eram reprimidos ganharam espaço. No caso da Líbia, têm armas de sobra para desafiar um Estado fraco”.


Egito

No Egito, 224 se feriram em choques com a polícia no terceiro dia de protestos contra a embaixada dos EUA.

O filme não era o único alvo da revolta. Entre os manifestantes havia muitos membros dos “ultras”, facção radical do time de futebol mais popular do Egito, Al Ahly. Eles têm contas a acertar com a polícia desde que 74 pessoas morreram num jogo do time, no início do ano. 

A Irmandade Muçulmana espera que os confrontos não se repitam hoje, na manifestação que convocou em repúdio ao filme anti-islâmico.

Em conversa com o presidente dos EUA, Barack Obama, por telefone, o presidente egípcio, Mohamed Mursi, que pertence ao grupo, condenou os ataques antiamericanos e prometeu que as representações estrangeiras no Egito serão protegidas. 

Mursi também criticou duramente o filme e pediu a Obama que puna os responsáveis. Para Obama, a relação com o Egito pós-Mubarak é um “trabalho em andamento”. “Não os consideraria um aliado, mas não os consideramos um inimigo”, disse.


Atriz diz que foi enganada

As origens de um filme anti-islâmico que provocou protestos violentos no Egito e na Líbia começaram a aparecer aos poucos e uma atriz da produção da Califórnia disse que foi enganada e não sabia que a gravação era sobre o profeta Maomé. Cindy Lee Garcia, de Bakersfield, Califórnia, que aparece brevemente em clipes do filme postados na internet, disse que respondeu a uma convocação de elenco no ano passado para aparecer em um filme intitulado “Guerreiro do Deserto”.

“Parece tão irreal para mim, é como se nada do que filmamos estivesse ali. Havia todo este material estranho lá”, disse Garcia à Reuters em uma entrevista por telefone.

Clipes do filme, postado no YouTube sob vários títulos, incluindo “A Inocência dos Muçulmanos”, mostraram uma retratação do profeta muçulmano envolvido em comportamento bruto e ofensivo. Muitos muçulmanos consideram qualquer representação do profeta como blasfêmia.

Os clipes haviam sido postados online semanas antes das violentas manifestações de terça-feira na embaixada dos EUA no Cairo e no consulado em Benghazi, na Líbia, em que o embaixador dos EUA para a Líbia, Christopher Stevens, e outros três norte-americanos foram mortos.


Hillary diz que filme é repugnante

Washington - A secretária de Estado americano, Hillary Clinton, chamou ontem de “repugnante” o vídeo anti-Islã que provocou os protestos nas embaixadas do Oriente Médio. “Para mim, pessoalmente, esse vídeo é repugnante e repreensível e apareceu com um único propósito: para denegrir uma religião e provocar raiva.”

Ela também descartou qualquer relação dos autores com o governo dos EUA. “Os EUA não têm absolutamente nada a ver com esse vídeo. Nós rejeitamos em absoluto seu conteúdo e mensagem.” Apesar da condenação, defendeu a liberdade dos americanos de expressar suas visões, independente de quão desagradáveis sejam.  A secretária também pediu que os países que enfrentam protestos que evitem a escalada da violência.


Google bloqueia vídeo na Líbia e Egito

São Francisco - O site de vídeos YouTube, de propriedade do Google, não irá remover o clipe de um filme zombando do profeta muçulmano Maomé, que tem sido acusado de provocar os protestos anti-EUA no Egito e na Líbia, mas bloqueou o acesso a ele nesses países.

 

O clipe, com base em um filme de longa-duração, retrata o profeta como uma fraude e um mulherengo, e tem sido responsabilizado por provocar violência contra embaixadas dos EUA no Cairo, Iêmen e Líbia. O embaixador dos EUA na Líbia, Christopher Stevens, e outros três diplomatas norte-americanos foram mortos por homens armados em um ataque contra o consulado dos EUA em Benghazi, na Líbia, na terça-feira. A resposta do Google à crise acentuou a luta que a companhia enfrenta, assim como outras empresas similares, para conciliar liberdade de expressão com preocupações legais e éticas em tempos em que as mídias sociais têm impacto nos eventos mundiais.