Washington - Pelo menos sete pessoas morreram ontem em protestos de islâmicos contra os Estados Unidos por um vídeo que parodia o profeta Maomé, que foi revelado na última terça. Os atos se espalharam por 19 países com grande população muçulmana desde quando as imagens foram reveladas - Egito, Líbia, Tunísia, Índia, Síria, Líbano, Marrocos, Irã, Sudão, Iêmen, Israel, Iraque, Afeganistão, Paquistão, Indonésia, Bangladesh, Nigéria, Qatar, Jordânia e nos territórios palestinos.
Ontem, quatro representações diplomáticas foram atacadas em países no norte da África.
A situação é mais grave no Sudão, no norte da África, onde manifestantes entraram nas embaixadas de Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos na capital Cartum.
Os islâmicos ainda queimaram ruas vizinhas ao bairro que concentra as embaixadas na cidade. Cerca de 5 mil manifestantes participaram das ações.
Outras três pessoas morreram em confrontos com a polícia próximo à embaixada americana em Túnis, na Tunísia, no segundo protesto violento desde a divulgação do vídeo.
Os manifestantes atiraram um coquetel molotov no terreno da representação diplomática e entraram em uma escola americana, que foi incendiada pelos islâmicos.
Segundo a imprensa local, a escola não funcionava ontem. Além dos óbitos, mais 28 pessoas ficaram feridas.
Líbano
Um manifestante foi morto e outros dois ficaram feridos em confrontos com as forças de segurança na cidade libanesa de Trípoli ontem, em protestos contra um filme que insulta o profeta muçulmano Maomé e também contra a visita do papa ao Líbano. Uma fonte de segurança disse que o homem foi morto quando os manifestantes tentaram invadir um prédio do governo. Mais cedo, o restaurante de uma cadeia norte-americana de fast food foi incendiado. Doze membros das forças de segurança foram feridos por pedras jogadas pelos manifestantes, relatou a fonte.
Forças de segurança libanesas haviam aberto fogo mais cedo depois que os manifestantes incendiaram um restaurante da rede americana Kentucky Fried Chicken (KFC). em Trípoli e atiraram pedras em um edifício estatal, gritando slogans anti-EUA e contra a visita do papa ao Líbano.
Afeganistão e Nigéria
Novos distúrbios também foram registrados no Afeganistão e na Nigéria. Em Jalalabad, no Afeganistão, centenas de islâmicos queimaram bandeiras dos EUA e efígies de Obama.
Testemunhas relataram que alguns manifestantes exigiam do presidente Hamid Karzai que cortasse relações com os EUA. As forças de ordem da Nigéria dispararam ontem para o ar para dispersar manifestações de muçulmanos em Jos, e policiais reforçaram a segurança nas proximidades das embaixadas. Em Sokoto, na fronteira com o deserto do Saara, milhares fizeram demonstrações pacíficas, carregando placas com os dizeres “Abaixo a América” e “Nós amamos nosso profeta”.
Egito
Em visita a Roma, o presidente Mohamad Mursi, da Irmandade Muçulmana, voltou a condenar o filme, mas condenou a violência. “Esses atos irresponsáveis não trazem benefício e desviam a atenção dos problemas reais, como o conflito na Síria e o destino dos palestinos e a falta de estabilidade no Oriente Médio”, disse.
Filme
Intitulada “A Inocência dos Muçulmanos”, a produção amadora foi produzida nos EUA, de acordo com as informações disponíveis, e ganhou o mundo pela Internet.
Justiça chegará aos responsáveis, diz Obama
Washington - O presidente Barack Obama especificou que as forças americanas na região têm como único objetivo “proteger cidadãos e propriedades americanas”. Ele afirmou que os EUA manterão a mensagem à região de que “são amigos” e não abandonarão seu papel no mundo, mas repetiu que os culpados pelas mortes responderão por elas.