09 de julho de 2026
Bairros

Etanol: entre os 5 mais baratos de SP

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Mais barato que um passe de ônibus coletivo, o preço do litro do álcool vendido em Bauru está entre os mais baixos do Estado. Ontem, em alguns postos de combustíveis da cidade era possível encontrar o produto a R$ 1,45.

Nesta semana, levantamento elaborado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) apontou que o preço do combustível na cidade estava entre os cinco mais em conta entre os 117 municípios pesquisados, mesmo após uma alta de cerca de R$ 0,10 registrada nos últimos dias.

Nas bombas verificadas, o custo médio era de R$ 1,656.

Vários fatores contribuem para o preço do álcool de Bauru estar entre os mais baratos do Estado atualmente. Um deles é o fato de a safra da cana-de-açúcar ainda não ter se encerrado e, outro, a guerra de preços estabelecida entre os postos de combustíveis.

Embora o consumidor seja o maior beneficiado, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) recomenda estar sempre atento à qualidade do produto ofertado.

Nesta semana, o valor do litro do álcool era o quinto mais baixo entre os pesquisados pela ANP, atrás apenas de Franca, Ibitinga, Limeira e Ourinhos e empatado com Itápolis. Na região, os preços médios cobrados em Marília e Botucatu, por exemplo, eram de R$ 1,775 e R$ 1,894, respectivamente.

Em Bauru, o preço máximo praticado pelos estabelecimentos pesquisados era de R$ 1,799, com média de R$ 1,656. Edivaldo Tuschi, presidente interino do Sincopetro em Bauru, explica que a safra ainda é o principal fator que influencia o preço do álcool.

“Como o ciclo se encerra entre outubro e novembro, a tendência é de que o custo volte a subir, como já começou a acontecer nesta semana”, alerta, salientando que, particularmente em Bauru, a concorrência agressiva entre os postos faz com que os preços sejam bem abaixo da média estadual, que está em R$ 1,746.

“Os consumidores se beneficiam desta guerra, mas devem estar atentos à qualidade do etanol vendido nos postos. Para tanto, devem aprender a fazer cálculos para verificar o rendimento do produto no seu veículo”, alerta. Segundo estimativas da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), o preço ideal do álcool para o consumidor final deveria ser de cerca de R$ 1,79, considerando as margens de lucro para as usinas, distribuidoras e postos revendedores.

 

Aumento

Na semana passada, o produto era comercializado a R$ 1,557, em média, valor que foi reajustado em aproximadamente R$ 0,10. Segundo Tuschi, o aumento generalizado é resultado da elevação de preços cobrados pelas distribuidoras de pequeno porte.

“Isso deixou as grandes, que estavam trabalhando com prejuízo, confortáveis para também aumentar os valores. Na semana passada, o custo para os postos era de R$ 1,39 e, hoje, é de R$ 1,55”, salienta. Ainda conforme o presidente interino do Sincopetro, os preços tendem a aumentar ainda mais porque as grandes usinas reservam boa parte de sua produção para vendê-la a um preço mais vantajoso no período de entressafra.

“Para ter estoque, elas compram a maior parte da produção das pequenas usinas para destinar às distribuidoras. Com isso, até a próxima safra, o álcool ficará concentrado nas mãos destas grandes”, acrescenta.

De acordo com o diretor técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues, as negociações entre pequenas e grandes indústrias é um procedimento normal de mercado. Ele nega, entretanto, que o setor tenha responsabilidade sobre a elevação de preços desta última semana.

“O preço praticado pelas usinas está há três meses estável, no patamar de R$ 1,28 (vendido às distribuidoras). E não há previsão de alta acentuada porque o valor está muito próximo ao teto. Mais do que isso, o consumidor que possui carro flex deixa de comprar e começa a optar pela gasolina”, frisa.

 

Gasolina formulada

Ao contrário do etanol, o preço da gasolina vendida em Bauru não está entre os cinco mais em conta do Estado. Ao custo médio de R$ 2,574 nas bombas, ela é mais cara do que outras 30 cidades paulistas, conforme levantamento realizado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) nesta semana em 117 municípios. O preço mínimo pesquisado foi de R$ 2,42.

Segundo o presidente interino do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), Edivaldo Tuschi, o valor ideal, respeitadas todas as margens de lucro da cadeia produtiva, seria de R$ 2,69. Por este motivo, ele explica que o consumidor deve estar atento ao abastecer o veículo, já que alguns estabelecimentos têm comercializado gasolina formulada sem informar os clientes sobre a diferença entre este produto e a gasolina comum.

“Para se ter uma ideia, a gasolina formulada nem possui gasolina em sua composição. Ela é uma mistura de vários solventes e tem custo de produção menor. Por isso, é mais barata, mas rende cerca de 14% menos”, detalha.

Tuschi orienta, mais uma vez, os motoristas a colocar na ponta do lápis a quilometragem feita pelo veículo com um tanque de combustível.