09 de julho de 2026
Bairros

Artistas de rua dão show e alegram cotidiano da cidade

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Éder Azevedo

Sérgio, Celso e Gustavo levam o grafite a diferentes pontos de Bauru

Senhoras e senhores, respeitável público! Bem-vindos ao enorme palco que é a cidade de Bauru! Vocês já repararam quantos artistas temos espalhados pelos quatro cantos da cidade? São palhaços, mímicos, malabaristas, grafiteiros, músicos, artesãos, pintores entre dezenas de artistas que escolheram viver para difundir a arte e deixar menos acinzentado o cenário marcado pelo intenso tráfego de veículos, pela pressa e pela busca pela sobrevivência.


Um destes artistas é Marcílio do Nascimento, 47 anos, famoso por representar na feira do rolo, entre outros pontos movimentados de Bauru, personagens como Charles Chaplin, o cowboy prateado e o palhaço. Apaixonado por mímica e teatro, ele optou por ser artista de rua há nove anos.


“Sentia a necessidade de chamar atenção para a cultura. De agregar algo à vida das pessoas”, afirma ele que, apesar das dificuldades, segue na opção que fez, lutando contra o preconceito e contra o sol escaldante.


Quem também frequenta as ruas de Bauru, levando sua arte, é o malabarista Mae, 26 anos.  Entre claves e bolas de contato, ele faz seu papel para levar um pouco de cultura a quem tem de enfrentar diariamente o trânsito intenso e a longa espera nos semáforos de Bauru.


Mas, diferentemente de Marcílio, nem sempre é possível conferir seus números em Bauru. Quase um nômade, Mae tem paixão por viajar e está sempre onde sua arte o levar.


“Vim para Bauru para fazer faculdade e acabei morando aqui por um tempo. Mas artista de rua é meio nômade, está cada hora em um lugar. Hoje estou em Bauru por conta de um evento, depois, pretendo ir para São José do Rio Preto, onde tenho um trampo. Mais pra gente, não sei”, enumera.


Ao contrário de Mae, os grafiteiros Sérgio de Campos Oliveira, 26 anos, Celso Oliveira, 25 anos, e Gustavo Almeida, 23 anos, não precisam estar fisicamente em um lugar para difundir sua arte. Seus trabalhos podem ser conferidos a qualquer dia e horário: estão eternizados nos muros de diferentes bairros da cidade por meio do grafite.


“Nossa intenção é levar a arte para lugares depredados da cidade, mostrar que a vida não é só o caos e a movimentação. Com nossos desenhos pretendemos quebrar o olhar do transeunte, fazê-lo refletir, contemplar, nem que seja por um breve momento”, resume Sérgio.


Apesar de viverem de diferentes tipos de arte, Marcílio, Mae, Sérgio, Celso e Gustavo, assim como outros artistas de rua, compartilham das mesmas dificuldades e são marcados pela mesma persistência e vontade de fazer a diferença.


Entre os obstáculos, está a falta de espaço para divulgarem seus trabalhos, a falta de incentivo do governo, o preconceito e até mesmo o sol escaldante, típico de Bauru. Entre os fatores motivadores, está a paixão pela arte, a vontade de fazer a diferença e o reconhecimento de parte do público.


Nesta balança, felizmente, o lado positivo da vida na rua continua tendo um peso maior. Então, aproveite. Este espetáculo, que não tem dia nem hora para terminar, está acontecendo agora, enquanto você lê esta reportagem. Para conferir e prestigiar, basta ficar atento.