Intermediação financeira
O mercado financeiro exercita o sistema de intermediação. De um lado existem os agentes superavitários, ou seja, aqueles que possuem sobras de recursos e desejam aplicar estes recursos no mercado financeiro. De outro lado existem os agentes deficitários, isto é, aqueles que não possuem recursos e precisam tomar dinheiro emprestado. O intermediário financeiro, que pode ser uma financeira ou um banco comercial, faz a ponte entre estes dois agentes.
As taxas envolvidas
Os intermediários financeiros remuneram os recursos aplicados pelos agentes superavitários. Taxas em modalidades conservadoras que variam entre 0,43% a 0,8% ao mês. Estes mesmos intermediários financeiros cobram uma taxa mais elevada dos agentes deficitários. Dependendo da modalidade, porte do tomador de recursos, reciprocidade, risco, garantia, entre outras variáveis, os juros podem ser de 0,94%, 1%, 1,75% e até 10% ao mês.
O spread
O spread bancário nada mais é do que a diferença entre os juros que o intermediário financeiro remunera aos agentes superavitários e os juros cobrados de quem empresta dinheiro, ou seja, os agentes deficitários. Por exemplo: se alguém aplicou seu dinheiro e combinou uma taxa de 0,7% ao mês e na outra ponta alguém emprestou um recurso e pagou uma taxa de 3% ao mês, o spread será a diferença entre o 0,7% e estes 3%.
Inflação, taxa livre de risco e taxa de risco
As taxas de juros são construídas levando em conta a inflação futura, uma taxa livre de risco e uma taxa de risco. A inflação é aquela projetada pelo mercado, incluindo a meta fixada pelo governo. A taxa livre de risco, que é um custo de oportunidade, normalmente tem como referência a remuneração dos títulos públicos, no caso brasileiro a taxa Selic. E a taxa de risco é construída pelo intermediário financeiro levando em conta os aspectos que já mencionei acima.
O spread
No caso do spread sua composição é a seguinte: dos 100% de uma taxa hipotética, 21,9% são impostos diretos. Os intermediários financeiros consideram na formação do spread total 4,1% para o compulsório (dinheiro que fica retido junto ao Banco Central), fundo garantidor (espécie de seguro se houver algum problema com o banco) e encargos. Os custos administrativos que são considerados na formação do spread totalizam 12,6%. Colocam ainda o chamado risco de inadimplência na ordem de 28,7%. A margem líquida (incluindo erros e omissões) é de 32,7%.
Reduzir o spread
Quando questionados sobre o exagero no spread, os bancos (os intermediários financeiros) alegam que ele é elevado em função principalmente da carga tributária, no caso de 21,9% só de impostos diretos. Se efetivamente busca-se a redução dos juros na ponta e o spread é elevado, passou da hora de rever sua composição.
Cartão de crédito
Banco Central estuda aumentar o valor mínimo a pagar da fatura do cartão de crédito. Atualmente uma fatura de cartão de crédito tem como pagamento mínimo 15% do valor total do mês. Quando o consumidor opta por pagar este mínimo automaticamente autoriza a administradora de cartão de crédito a financiar os 85% restantes. Acontece que isso tem levado muitas famílias a pagar um valor de juros muito elevado à medida que esta modalidade é uma das mais caras do mercado. Algumas bandeiras chegam cobrar até 12% ao mês para financiar o valor não pago. O governo quer evitar este endividamento e estuda aumentar o patamar mínimo. No início complicaria a vida dos consumidores, mas seria uma maneira de evitar o elevado endividamento e ajudaria na queda da inadimplência. Esta modalidade representa 35% do volume total de inadimplência.
Custo de mão de obra reduzido
Para desonerar a folha de salários, o governo favoreceu inúmeros setores da economia, entre eles, fabricantes de bicicletas, pães e massas, brinquedos, tintas e vernizes, etc. São 25 novos setores que somados aos já favorecidos atingem 40 setores da economia. As empresas favorecidas deixam de pagar a contribuição patronal do INSS sobre o salário do funcionário e passam a pagar um percentual sobre o faturamento bruto. Quanto mais gente empregar, mais vantagem será. A ideia é contratar mais gente, reduzir a informalidade e tornar os preços de nossos produtos mais competitivos no mercado.
Mude já, mude para melhor!
O consumo consciente tem sido objeto de reflexões para muitos consumidores. Consumir de maneira planejada, privilegiando a compra de produtos ambientalmente corretos, com preocupação com descarte, reciclagem, e se efetivamente agrega valor a pessoa e a sociedade, tem levado muitas pessoas a mudarem seu perfil de consumo. Foi longe o tempo que o consumo tem que ser feito de qualquer maneira, sem a preocupação com suas consequências. Pensar nisso é praticar a responsabilidade social em todas as suas dimensões. Mude já, mude para melhor! Boa semana.