09 de julho de 2026
Internacional

Líder do Hizbollah participa de protesto contra filme anti-islã

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Damasco - Os protestos contra o filme anti-islâmico “Inocência dos Muçulmanos” motivaram uma rara aparição em público do líder do grupo xiita Hizbollah, Hassan Nasrallah.

O líder discursou para dezenas de milhares de manifestantes no Líbano, declarando que o mundo precisava saber que os islâmicos “não ficariam em silêncio frente a esse insulto”.

Em sua fala, televisionada pela rede Al Manar, pertencente ao grupo anti-Israel, Nasrallah convocou uma semana de protestos contra o vídeo. Segundo ele, é pior que o romance “Os Versos Satânicos”, de Salman Rushdie, e que as charges de Maomé publicadas em um jornal dinamarqueses em 2005.

Ambos os casos também desencadearam ondas de revoltas contra o Ocidente.

O líder libanês evita aparições públicas desde o confronto com Israel, em 2006.

Apesar disso, a manifestação no Líbano ocorreu pacificamente, ao contrário de outras que também foram registradas ontem no mundo árabe e em outros países de maioria muçulmana.

No Paquistão, a polícia usou gás lacrimogêneo e deu tiros para o alto para conter uma manifestação em frente ao consulado norte-americano em Karachi, a maior cidade do país.

Um grupo de 30 estudantes foi preso e uma outra grande passeata em Wari deixou um morto. Os eventos motivaram o premiê paquistanês, Raja Pervez, a ordenar o bloqueio ao site YouTube no país, onde trechos do filme estão hospedados.

Nos Emirados Árabes Unidos, a agência reguladora de telecomunicações também afirmou ter suspendido o acesso ao vídeo.

No Afeganistão, centenas de pessoas foram às ruas de Cabul, ateando fogo a pneus e a um carro nas proximidades de uma base militar norte-americana.

A Indonésia também registrou ontem as primeiras reações violentas ao caso. Onze policiais foram hospitalizados enquanto protegiam a embaixada dos EUA em Jacarta de manifestantes.

 

Fuga

Na Tunísia, um líder salafista (ala radical de religiosos), acusado de ter incitado demonstrações violentas na semana passada, conseguiu escapar de uma mesquita cercada pela polícia, onde ele se encontrava refugiado.

Na última sexta, a embaixada americana em Túnis teve sua bandeira retirada e substituída pela islâmica em meio aos protestos. Edifícios também foram depredados.



Extrema-direita desafia Merkel e diz que exibirá filme

Berlim - O ultradireitista partido alemão Pro Deutschland divulgou ontem o vídeo que ridiculariza o profeta Maomé, apesar da intenção do governo de Angela Merkel de tentar impedir sua difusão no país por temer problemas de ordem pública.

O Pro Deutschland, um grupo minoritário e islamofóbico contrário à construção de mesquitas na Alemanha, divulgou através de seu site imagens do filme. O partido anunciou seu propósito de exibir o vídeo em sua integridade em Berlim, no próximo mês de novembro, o que deixou a polícia em alarme.

O ministro do Interior, Hans-Peter Friedrich, afirmou que estão sendo estudadas medidas legais para que as autoridades competentes possam impedir tal exibição, depois que a própria Merkel disse temer problemas de ordem pública. Em um discurso perante meios de comunicação, Merkel se comprometeu a “avaliar” a possibilidade de impedir a exibição desse filme, e argumentou que “a liberdade de expressão também tem seus limites”. 

A representação diplomática alemã no Sudão foi parcialmente incendiada na sexta-feira passada, depois que radicais muçulmanos tentaram invadir o edifício.