Pequim - Os crescentes protestos na China contra a decisão de Tóquio de comprar um arquipélago disputado pelos dois países estão levando dezenas de empresas japonesas a fechar as suas portas por temor de atos violentos.
As manifestações ganharam força no fim de semana e miraram principalmente representações diplomáticas.
Mas a ira contra o Japão em dezenas de cidades incluiu desde fábricas de automóveis até populares redes de lojas.
A fabricante de eletrônicos Panasonic fechou a sua fábrica em Qingdao (leste) no fim de semana depois de funcionários chineses terem incendiado parte de seus equipamentos, segundo um porta-voz da empresa na China.
Com medo de violência, as lojas de conveniência 7-Eleven anunciaram que todas as suas 198 unidades no país fecharão hoje, dia em que a China lembra o início da violenta ocupação japonesa no país, entre 1931 e 1945.
As empresas japonesas com operações afetadas na China incluem, entre outras, Canon, Toyota, Honda, Uniqlo (lojas de roupas) e Mazda.
Cidadãos japoneses também têm sido agredidos e foram orientados a permanecer em casa. Em Pequim, escolas japonesas cancelaram as aulas nesta semana.
A tensão entre os dois países pode se agravar mais caso se confirme a informação dada pela Rádio Nacional da China de que mil barcos pesqueiros chineses se dirigem ao arquipélago desabitado, chamado de Senkaku pelo Japão, que o administra, e de Diaoyus pelos chineses.
Centenas de empresas japonesas mantêm fábricas na China, atraídas pela mão de obra mais barata. A China, que em 2010 ultrapassou o Japão tornando-se a segunda economia mundial, é atualmente o principal parceiro comercial do país vizinho.
Em 2011, o comércio bilateral alcançou US$ 345 bilhões. Esse valor é 4,4 vezes maior do que o comércio entre a China e o Brasil.
A escalada da violência coloca Pequim em posição difícil, em que precisa manter atitude firme contra o Japão, ao mesmo tempo em que quer controlar os protestos dos nacionalistas, que frequentemente criticam a falta de dureza do governo com Tóquio.
O jornal “Diário do Povo”, porta-voz do Partido Comunista, afirmou ontem que a China não descarta sanções econômicas: “Pode ser que o Japão queira outra década perdida e até mesmo retroceder duas décadas”.