11 de julho de 2026
Política

Ciesp ratifica que carência de área é barreira contra desenvolvimento

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 2 min

O diretor da regional de Bauru do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Domingos Malandrino, confirmou que a escassez de áreas e o alto custo das disponíveis é o principal fator que dificulta o desenvolvimento da cidade, principalmente no setor industrial. A constatação foi publicada no penúltimo caderno especial sobre eleições do Jornal da Cidade, que abordou o tema.

De toda a área urbana de Bauru, apenas 25% já é ocupada ou pode receber novos empreendimentos. O restante está comprometido com áreas verdes ou em uma das três Áreas de Proteção Ambiental (Apas). Um dos fatores decisivos nisso é a existência de vegetação cerradeira, protegida por lei estadual desde 2009.

Malandrino diz que essa condição, de ampla preservação, deve ser comemorada. No entanto, defende compensações financeiras aos proprietários das áreas que não podem ser ocupadas. “Através disso, aumentam as chances de o empreendedor adquirir novas áreas. Isso é necessário em razão do alto custo delas, o que já era de se esperar diante da escassez”, argumenta.

Segundo o diretor do Ciesp, as instâncias responsáveis pela elaboração de leis que restringem a ocupação das áreas deveriam se responsabilizar pela ‘indenização’. Ele cita como exemplo a compra de áreas da floresta urbana pela Prefeitura de Bauru, mas pondera que é preciso avançar mais.

Além disso, o município também não apresentou os planos de manejos para suas Apas, mesmo um já tendo sido contratado. Algumas correntes defendem que parte dessas áreas pode ser ‘liberadas’ a partir desses estudos.

 

Água e esgoto

Além da escassez de áreas, o problema crônico de falta de água também é apontado como barreira por Domingos Malandrino. Segundo o diretor do Ciesp, essa situação também é fruto da falta de planejamento do poder público municipal, que deixou a perfuração de poços para o último ano de gestão. Quanto ao esgoto, ele espera a conquista dos recursos necessários para garantir a construção da estação de tratamento.

 

Para setor produtivo, poder público é reativo

Os entraves para o desenvolvimento não afetam apenas o setor industrial. Presidente da Associação Industrial e Comercial de Bauru (Acib), Reinaldo Cafeo percebe que o poder público não consegue acompanhar o ritmo da iniciativa privada e suas ações quase sempre reagem.

“Não há uma percepção clara do modelo de crescimento. O poder público age sempre a reboque, depois que a iniciativa privada encontra um caminho. Isso atropela o processo, gera improvisos demais e a cidade não trilha em um rumo seguro de desenvolvimento”, explica.

Cafeo exemplifica o recente ‘boom’ do comércio na zona Sul e na região do Shopping. Segundo ele, isso se deu em razão da incapacidade de expansão do setor na área Central. “Houve um crescimento, mas sem o olhar planejador. Não se pensou em questões logísticas, de trânsito e estacionamento. Agora que isso está acontecendo. Outras regiões que funcionam como verdadeiras cidades, como o Mary Dota, também não contam com a infraestrutura necessária”.