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Aceituno Jr. |
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Em Bauru, categoria aderiu à paralisação. Na foto, o sindicalista Sílvio Prudêncio.
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Exatamente à 0h de hoje, teve início em Bauru a greve dos trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). A paralisação foi decidida após assembleia realizada no fim da tarde de ontem na cidade, tendo em vista a falta de uma conciliação em Brasília. Independente do grau de adesão à greve, 40% dos funcionários continuarão trabalhando.
Desfiliado da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect) juntamente com outras três entidades, o Sindicato dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos de Bauru e Região (Sindecteb) tem reivindicações diferentes das nacionais.
A entidade defende aumento de 5,2% a título de reposição da inflação dos últimos 12 meses e mais 5% de aumento real no salário dos funcionários, número que ainda não recupera as perdas acumuladas desde a década de 1990.
Na semana passada, os trabalhadores da ECT rejeitaram a proposta de aumento salarial de 5,2%. Anteriormente, eles já tinham recusado a primeira oferta de reajuste, que não ultrapassava a casa dos 3%.
A esperança era de que se chegasse a um consenso na manhã de ontem em audiência no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Porém, a empresa não aceitou a proposta de conciliação, que estipulava os 5,2% de reposição da inflação nos salários, R$ 80,00 de aumento real no salário, R$ 8,84 de vale-alimentação mais manutenção dos benefícios, como o plano de assistência médica.
Com a recusa da ECT, 18 Estados e mais o Distrito Federal aderiram à paralisação e se juntaram ao Pará e Minas Gerais, que já estavam em greve. Em Bauru, o “estado” de greve foi mantido até o fim da tarde. Após assembleia, ela foi finalmente deliberada na cidade.
Efeitos
O nível de adesão da paralisação em Bauru somente poderá ser medido a partir de hoje. Porém, o Sindecteb já aponta quais serviços serão interrompidos. A greve, de acordo com a entidade, irá interferir na entrega, triagem, distribuição e coleta. “As pessoas já devem começar a sentir os efeitos da greve a partir de hoje”, aponta Luiz Alberto Bataiola, vice-presidente do sindicato.
A paralisação começou pelo Centro de Tratamento de Cartas e Encomendas (CTCE), localizado no Distrito Industrial 1. “Pela manhã, iremos fizer piquetes nos três CDD (Centro de Distribuição Domiciliária), que é onde ficam os carteiros”, complementa Bataiola.
O sindicato, porém, ressalta tudo será feito de maneira pacífica. “Iremos respeitar os trabalhadores e realizar uma greve tranquila. Não vamos obrigar a nada”, finaliza o presidente do sindicato, Aparecido Gimenes Gândara.
40% do efetivo
Por entender que se trata de um “serviço essencial” à população, o TST determinou que os funcionários dos Correios mantenham, pelo menos, 40% do total de trabalhadores em todas as unidades da empresa durante o período de greve. Caso seja descumprida, a decisão acarretará em multa diária de R$ 50 mil aos sindicatos.
“Esse número abrange todo o corpo de funcionários, tanto operacionais quanto administrativos. Como não iremos paralisar o setor administrativo, isso será mantido”, aponta o vice-presidente do Sindecteb, Luiz Alberto Bataiola.
Sindicato referendou proposta de conciliação feita ontem pelo TST
Apesar de não ser exatamente o que reivindicavam, o Sindecteb referendou a proposta de conciliação feita na manhã de ontem pelo TST. Desse modo, os trabalhadores de Bauru e os que fazem parte dos sindicatos de São Paulo, Rio de Janeiro e Tocantins afirmam que voltam ao serviço se os Correios voltarem atrás e aceitarem a proposta de conciliação.
“Queremos deixar claro que referendamos a proposta. Não era exatamente o que queríamos, mas seguimos um bom senso. Se a empresa aceitar a proposta da Ministra Cristina Peduzzi, nós retornaremos ao trabalho imediatamente”, aponta o vice-presidente do Sindecteb, Luiz Alberto Bataiola, que ainda lamenta ter sido necessária a greve para lutar por melhorias.
Em nota emitida pela assessoria de comunicação, os Correios afirmam que tem um plano de contingência para garantir a prestação de serviços à população. “Entre as medidas que a empresa poderá vir a adotar estão: realocação de empregados das áreas administrativas, contratação de trabalhadores temporários, realização de horas extras e mutirões para triagem e entrega de cartas e encomendas nos finais de semana”, declarou, em nota.
No mesmo comunicado, os Correios apontam que investem na melhoria das condições de trabalho, inclusive nos planos de saúde. A empresa sustenta ainda que o índice de reajuste de 5,2% oferecido aos trabalhadores garante o poder de compra e repõe a inflação do período, diz a ECT em seu blog institucional.