09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Greve atinge 40 agências bancárias

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Sem qualquer perspectiva de acordo, a greve dos bancários segue pelo terceiro dia e a adesão ganha corpo em meio à categoria. Segundo balanço do sindicato que representa os trabalhadores, a paralisação já atingiu 40 agências em Bauru. Até agora, não houve qualquer contraproposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).

Em nível nacional, os trabalhadores afirmam que não há qualquer possibilidade de que a greve acabe nesta semana (leia mais na página 22).

A paralisação começou anteontem pela manhã. Os bancários reivindicam 23% de reajuste salarial, correspondente à reposição da inflação registrada nos últimos 12 meses (5,25%) mais a recuperação das perdas salariais comuns a todos os bancos (17,75%) desde o lançamento do Plano Real, em 1994. A Fenaban ofereceu 6%, reajuste recusado de forma unânime.

A categoria pede ainda a distribuição linear da participação nos lucros e resultados (PLR), contratação de mais funcionários, mais segurança no trabalho, proteção contra demissões injustificadas, o fim da rotatividade e de metas abusivas e combate ao assédio moral.

Em Bauru, a adesão começou baixa. Das 61 agências que representam 12 instituições financeiras, 18 aderiram inicialmente à greve. Ontem, porém, os números cresceram e já são considerados altos pelo sindicato.

“Estamos com mais de 65% de adesão”, destaca o diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região/Conlutas, Marcos Lenharo.

Estão paralisadas todas as agências do Banco do Brasil/Nossa Caixa e Caixa Econômica Federal (CEF). “Ontem, a greve se estendeu para as agências nas proximidades da Praça Portugal e da Duque de Caxias. Também paralisaram as atividades postos de atendimento localizados dentro de universidades”, complementa Lenharo.

Em todos esses locais, porém, caixas eletrônicos funcionam normalmente. Além do aumento da adesão em Bauru, o sindicato afirma que a greve cresceu também na região (leia na página 18). A Fenaban não divulga e nem comenta esses números.


Sem contraproposta

De acordo com o sindicato, não foi feita qualquer contraproposta para as reivindicações da categoria. “Eles estão em um silêncio total. Não houve chamamento ou qualquer coisa parecida”, aponta Marcos Lenharo.

Para o diretor do sindicato, começa a ser travada uma verdadeira queda de braço. “A Fenaban é muito intransigente. Já demonstrou não estar aberta ao diálogo. Essa posição dela vem aumentando a revolta dos trabalhadores e contribuindo para aumentar a adesão”.

A greve continua por tempo indeterminado e, de acordo com Lenharo, os piquetes para tentar mobilizar ainda mais trabalhadores vão continuar.

 

Dicas para ‘enfrentar’ a paralisação

Com o aumento da adesão à greve, crescem também as dúvidas da população. Um dos maiores questionamentos é em relação ao pagamento de contas. A maior parte das contas pode ser paga em caixas eletrônicos e pela internet.

Caso não haja essa opção, é preciso entrar em contato com o fornecedor para saber quais as formas de pagamento ou se o vencimento pode ser prolongado. Caso a empresa não colabore, documente a ligação e acione o Procon.

Outra dúvida é em relação aos saques. Se o cliente quiser sacar acima de R$ 1 mil – o máximo permitido em caixas eletrônicos -, ele deve fazer transferências por meio de DOC ou TED entre bancos distintos. Essa operação pode ser feita no caixa eletrônico ou pela internet.

No caso do saque de seguro-desemprego, PIS e FGTS, o trabalhador pode procurar uma casa lotérica ou um correspondente bancário.

 

Dúvidas e mais dúvidas

Deficiente físico e morador no Jardim Rosa Branca, Eduardo Carlos de Oliveira, 62 anos, usou R$ 300 do limite do cartão fornecido pelo Banco do Brasil em uma loja. Depois, em um supermercado, foi pagar com o mesmo cartão, porém, a transação não foi aceita. “Entendo que algum problema ocorreu. Mas ninguém responde aos meus questionamentos no banco”, afirma. “Eu ligo e ninguém atende”.

“Em uma greve anterior até o limite foi aumentado para evitar transtornos. E agora? Não tem limite aumentado e tem cartão bloqueado. Algo está errado. E, com a paralisação, ninguém responde nem dá uma solução”, aponta.

Segundo ele, é o dinheiro do seu dia a dia que está sendo “interrompido”. “Não sou contra greve. Sou contra a gente ficar refém da falta de um esquema que deveria ser montado pelos bancos para responder as nossas dúvidas”.

Oliveira tentaria obter orientação sobre como agir junto ao próprio Sindicato dos Bancários e o Procon, durante a tarde de ontem.


Nenhuma reclamação

Apesar das dúvidas e da insatisfação de alguns clientes, até o fim da tarde de ontem, ninguém havia feito qualquer reclamação sobre a greve no Programa de Orientação e Proteção ao Consumidor (Procon).

“Não houve qualquer registro relacionado às paralisações. Porém, o Procon está aberto para reclamações. Qualquer cliente que se sentir lesado pode nos procurar”, aconselha a coordenadora do Procon em Bauru, Fernanda de Assis Martins Pegoraro.