08 de julho de 2026
Bairros

?Pode matar, mas não vai levar nada?

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 2 min

Por muito pouco, um pintor de automóveis, de 65 anos, não entra para a estatística das vítimas fatais da criminalidade em Bauru. Contrariando as orientações policiais (leia mais abaixo) e sem acreditar que estava sendo assaltado, ele reagiu e lutou com o ladrão. Mesmo assim, ele teve grande quantia levada e podia ter perdido bem mais. O bandido chegou a atirar contra a vítima, entretanto, a arma falhou.

O roubo ocorreu no Parque Vista Alegre na noite de anteontem. O pintor de automóveis, que teve a identidade preservada pela reportagem, chegava em sua casa quando foi abordado. “Ele já veio correndo e gritando para eu passar a carteira. Já estava com a arma em punho”, conta.

Sem conseguir pensar no momento, ele reagiu. “Nunca tinha sido assaltado. Não tive tempo de nada. Agarrei o revólver e começamos a lutar”, relata. “Olhei para ele e disse que podia me matar, mas não ia levar minha carteira”.

E o ladrão realmente o “escutou”. Ele atirou contra o homem, porém, o disparo falhou. Na luta, a mão da vítima enroscou na arma e acabou provocando um corte.

Mesmo com toda a reação, o ladrão conseguiu recuperar a arma e pegou a carteira do bolso da frente da calça da vítima. Lá, além dos documentos pessoais, havia R$ 4 mil. “Eu tinha pegado o dinheiro do meu vale e ainda mais uma quantia. Passei no mercado e estava chegando em casa”, complementa o pintor.

O ladrão foi descrito como um homem branco, alto e magro. No momento do roubo, ele trajava uma calça jeans escura e moletom preto com capuz. “Eu nunca tinha visto ele por aqui”, relata a vítima. Até o fechamento desta edição, o ladrão não havia sido identificado ou detido.


Nasceu de novo

Ontem, depois de repensar o modo como agiu, a vítima fez outra avaliação. “Dinheiro a gente ganha de novo. Ele poderia ter me matado mesmo”. O ferimento que teve na mão, segundo o próprio pintor, não foi nada grave.

Questionado sobre o fato de o ladrão ter chegado a puxar o gatilho e a arma ter falhado, o homem disse que o sentimento é de alívio. “Se parar para pensar, eu nasci de novo. Hoje, pensaria melhor em fazer o que fiz”, conclui a vítima.


Delegado seccional da Polícia Civil reforça alerta: nunca se deve reagir

O delegado seccional de Bauru, Marcos Mourão, afirma que as vítimas nunca devem reagir durante assaltos. “A vítima sempre é pega em situação de vulnerabilidade. O ladrão é inescrupuloso e pode matar. Nada compensa mais do que a vida”.

Ainda de acordo com Mourão, há circunstâncias que intensificam o perigo, como o nervosismo do assaltante ou mesmo se ele estiver sob o efeito de drogas. “É preciso manter a calma. Mesmo uma arma branca pode machucar ou matar. Faça o que ele pede e depois registre o boletim de ocorrência (BO) para podermos investigar”, completa.