08 de julho de 2026
Geral

Glamour não se compra, se confecciona à mão

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 6 min

A jovem está irredutível e quer um vestido vermelho. Sua mãe insiste em um vermelho com branco. Se o impasse tratasse somente do tom de cor de um tecido seria de simples resolução. Nada feito! A moça em questão deseja se casar de vestido de noiva vermelho. Sua mãe não é qualquer mãe. Está no papel intrasferível de “mãe de noiva”.

Trata-se de um casamento seguindo ritos tradicionais de uma família com cultura de noiva com vestido branco. A sorte da noiva e de sua mãe é terem se deparado com a dupla Inês Sebastian, 51 anos, e Arayá Castellano, 32 anos.

Inês é designer de vestidos e Arayá é cerimonialista e presta assessoria a eventos sociais e corporativos. Inês comenta que não foi simples auxiliar a moça. Porém sua experiência e mais de duas horas de muita conversa ajudaram no consenso.

Inês confessa que fez uma espécie de acordo de risco com a jovem noiva de que criaria um vestido de um vermelho especial para a cerimônia religiosa. A designer de vestidos ressalta que investiu seu conhecimento no sonho da noiva correndo risco de não agradá-la. “Uma noiva com um sonho é um problema grave. Você não tem noção”.

A designer de vestidos e Arayá trazem de São Paulo para Bauru um novo conceito de roupas de alto padrão e para momentos especiais. É a alta costura voltando com toda força para consumidoras ávidas por exclusividade. Inês transferiu para Bauru seu ateliê, o Aramaris Sposa, após trabalhar com sua grife na Capital. A designer de vestidos retorna a Bauru para impor um novo padrão estético. “A cidade quer o novo”, projeta.

 

‘Muito de tudo’

Arayá ressalta que não existe regra, existe sonho quando se trata de vestir noivas, mães de noivas, madrinhas, amigas, convidadas. Inês trabalha com acervo de vestidos e acostumou-se com a criação seguindo tendências da moda noiva.

Ela observa que o casamento da princesa Kate Middleton e do príncipe William redefiniu alguns padrões.

De acordo com a designer de vestidos, a noiva quer muito de tudo. Bordados, véu, calda, buquê. Isso corresponde a vestidos com 50 a 60 metros de tecido.

Inês comenta que 70% do vestido é inteiramente costurado à mão. Cita que a Europa, plataforma de tendências da moda, está absorvendo muito bem a influência de criadores de vestidos do oriente médio, região em que a pedraria é acabamento indispensável à roupa. 

A Aramaris Sposa inovará em Bauru proporcionando à noiva, graças à princesa Kate, um vestido longo extra para a recepção, além do impecável vestido da cerimônia nupcial.

Arayá comenta que não se trata de extravagância. Um vestido longo a mais é a garantia da noiva de que estará o tempo todo glamorosa. Conforme a consultora, o conceito do extra garante à personagem principal da noite fugir em sua festa de parecer vestida como se fosse ir para uma baladinha.

A Aramaris Sposa não cobrará a mais pelo segundo vestido já que a noiva está investindo em um sonho. O investimento é no conhecimento e sensibilidade de Inês e Arayá. Elas estão acostumadas a se deparar com noivas cheias de informação, muitas desconexas.


Para sonho único

As duas fazem o passo a passo com a noiva e seu staff – mãe, madrinhas, familiares e amigas. Escolha de tecido, bordados, as etapas de produção do vestido, as provas, até o produto final exclusivo com a marca Aramaris Sposa. Uma peça, que garantem as especialistas em moda feminina, é feita para se encaixar em um sonho único.

Segundo Inês, as noivas pagam pela exclusividade do modelo. Arayá cita que a empresa também faz manutenção, inclusive com lavagem, da peça exclusiva. O ateliê também oferece a linha Prompt com modelos “prontos” criados com design exclusivos e confecção na tendência europeia.

Em novembro, o ateliê Aramaris Sposa lança sua nova coleção com um desfile. Também completará o ciclo fechando o ateliê para a noiva no grande dia. Entrará uma plebeia, como Kate, e sairá a princesa.

Com a noiva de vermelho deu tudo certo. Inês e Arayá usaram de sutileza e a moça adentrou à Igreja de Santo Antonio, no ano passado, em um modelo espetacularmente vermelho. “Bauru quer o que você pode trazer de novo. É como se dissesse ‘nos surpreenda’. Ou ‘mostre o que nos apaixona’”, finaliza Inês.

O ateliê Aramaris Sposa fica na rua Engenheiro Saint Martin, 31-31, Jardim Dona Sarah. Telefones (14) 3206-9146 ou 3021-8702. O ateliê atende com agendamento.

Arayá oferece planejamento, organização, cerimonial, assessoria e decoração. Site é: www.aramarissposa.com.br.  Rede social: www.facebook.com/aramaris.sposa


Histórico da maneira de produzir

No dia 6 de setembro comemorou-se o Dia do Alfaiate. Há 50 anos, uma revolução cultural foi provocada pelo avanço tecnológico modificando o modo de um número maior de pessoas de se relacionar com a vida cotidiana.

O impacto inicial mexeu com a maneira de produzir e consumir, começando nos países considerados de primeiro mundo, posteriormente, alastrando-se para a maioria das sociedades. O impacto dessa mudança recaiu em profissões que emprestaram também ao capitalismo seu glamour. Se vestir bem sempre foi uma forma de explicitar riqueza e poder.

Assim que o processo de produção mecânico se alastrou e virou rotina, sapateiros, alfaiates, engraxates, barbeiros, tintureiros, costureiras, marceneiros e uma série de profissionais foram perdendo espaço para a produção em série. Essa tendência de produção em massa surgiu em alguns segmentos no início do século passado, com seu principal expoente representado pelo sistema denominado Fordismo, criado pelo empresário norte-americano Henry Ford em 1914 para produzir automóveis em uma linha de montagem.

Nos anos 80, o conceito de produção imposto pelo Fordismo foi suplantado pela montadora japonesa Toyota, daí deriva o Toyotismo, sistema com ganhos ainda maiores na linha de produção em massa. Existem linhas de montagem de carros artesanais e voltadas para um público disposto a pagar cifras colossais por modelos que poucos têm acesso.

Contudo eis que o modo de viver a vida ainda preserva o bom gosto e a necessidade por serviços que a maquinaria humana ainda não foi possível de preencher, surgindo a necessidade de peças únicas manufaturadas em processo artesanal. O exemplo de cadeia produtiva que retoma sua importância é a alta costura, renegada ao esquecimento por algum tempo. O glamour de vestidos costurados praticamente à mão e com grife esteve em voga na segunda metade do século passado até meados dos anos de 1990, alçando costureiros a condição de celebridades televisivas e com programas de sucesso em emissoras brasileiras.

Atualmente, os chefs de cozinha brasileiros e internacionais servem de comparativo para se entender o que foi o mundo da alta costura nas décadas finais do século passado. Saborear pratos sofisticados elevados a preciosidades é possível graças à insistência de produtores agrícolas artesanais que fornecem para restaurantes de grife com cardápio exclusivo a produção de temperos raros e adquiridos a preços astronômicos, contudo capazes de proporcionar sabores inesperados a pratos da inovadora culinária brasileira.