Piraju - Quem vive em cidades do Médio Paranapanema há mais de meio século deve lembrar-se da construção da usina hidrelétrica Jurumirim - uma obra grandiosa que atraiu milhares de trabalhadores de diversas partes do País e movimentou a economia da região. O intenso vaivém de veículos e operários e o som das explosões anunciavam que o progresso chegava por meio da usina, o segundo grande aproveitamento hidrelétrico do Paranapanema, depois de Salto Grande.
Iniciada em 1956, na era JK, a obra foi inaugurada em setembro de 1962 - ano em que João Goulart governava o País e Adhemar de Barros era eleito governador de São Paulo. “Quando a construção terminou, Piraju ficou vazia, porque todos foram para Chavantes, onde estava sendo construída outra usina”, contou Antonio Carlos Bento dos Santos, que era criança na época da obra e depois trabalhou por vários anos como vigilante da usina. Ele foi um dos que contribuíram para o resgate da memória de Jurumirim em um projeto da Duke Energy, atual concessionária, desenvolvido por Códice Memória e Arquivo.
Aqueles que não vivenciaram o nascimento da usina, como o seo Antônio, podem agora conhecer um pouco sobre sua história visitando a exposição “Jurumirim 50 anos” - uma realização da Duke Energy em parceria com a Fundação Cesp, comemorativa ao meio século de operação de Jurumirim. A mostra itinerante será inaugurada dia 3 de outubro, em Piraju, na Pousada Jurumirim, e do dia 4 ao dia 14 estará aberta ao público na biblioteca municipal. Após percorrer Cerqueira Cesar, Arandu e Avaré, ainda neste ano, e outras cidades do Médio Paranapanema no início de 2013, o acervo retornará definitivamente a Piraju.
São 20 painéis com fotos antigas e atuais acompanhadas de textos explicativos. “Podemos ver desde o período de construção – cidades impactadas pela obra e contexto do País à época – até a biodiversidade da região e do Rio Paranapanema”, explica a gerente-geral de Relações Institucionais da Duke Energy, Ana Amélia de Conti Gomes. “É uma viagem por esses 50 anos, atrativa tanto para quem viu a usina nascer, quanto para as gerações mais jovens, que usufruem de seu legado. Assim, esperamos público de todas as idades”, convida.
Localizada perto de Piraju e Cerqueira Cesar, a UHE Jurumirim, com seu reservatório de 449 quilômetros quadrados, se faz presente na vida dos moradores da região. O lago, de grande beleza e águas limpas, impulsionou o turismo importante para a economia dos municípios ao atrair banhistas, pescadores e adeptos dos esportes aquáticos. Para as comunidades locais, é fonte não somente de lazer, mas serve a usos múltiplos, como abastecimento de cidades, irrigação de lavouras e piscicultura.
Desde seus primórdios, a cinquentenária usina com geração de 98 megawatts (MW) – suficientes para abastecer uma cidade com 900 mil habitantes – representou um importante passo para o desenvolvimento do Médio Paranapanema. Antes abastecidas por pequenas hidrelétricas, como a Usina de Piraju, ou por geradores das próprias prefeituras que funcionavam algumas horas do dia, cidades como Piraju, Avaré, Cerqueira Cesar, Itaí e Tejupá puderam regularizar o fornecimento de energia com o início da operação de Jurumirim.
Além disso, seu reservatório de acumulação funciona como uma grande caixa d’água e desempenha o papel de amortizar os picos das cheias do Paranapanema, já que no inverno (período seco) as águas acumuladas são usadas na geração, abrindo espaço para acomodar as chuvas que ocorrem de novembro a março. A gestão do reservatório, efetuada pela Duke Energy em parceria com o ONS (Operador Nacional do Sistema) contribui sobremaneira para reduzir os impactos das chuvas nas comunidades ribeirinhas.