08 de julho de 2026
Articulistas

Cesto de frutas

Luiz Alberto Coradi
| Tempo de leitura: 3 min

Cidade Sem Limites, Capital da Terra Branca e, mais recentemente, Coração de São Paulo, são os mais conhecidos e merecidos títulos atribuídos à nossa Bauru, um dos principais centros urbanos do Estado, polo comercial, industrial e educacional do centro-oeste paulista, com seus quase 400.000 habitantes. Nada, porém, está tão intimamente associado à lembrança da cidade em qualquer canto do país quanto o famoso sanduíche, obra simples e despretensiosa criada por um estudante de direito do Largo de São Francisco, berço paulistano de grandes personalidades da nossa história.

Pão, queijo derretido, rosbife e pepino, a receita original do sanduíche Bauru sofreu inúmeras adaptações por esse Brasil afora, mas pode ser apreciada ainda intacta no seu reduto de origem, o tradicional Ponto Chic da capital paulista, ou no bauruense Skinão. Falar de agricultura em um município que contempla toda essa história, sempre lembrado apenas pelo seu centro urbano, não é tarefa das mais fáceis, mas Bauru também é rural, é produção agropecuária, é cerrado, é rios e riachos, é áreas de preservação ambiental, é preocupação com a sustentabilidade, essa palavrinha tão ouvida hoje em dia, mas tão pouco praticada.

Bauru, "cesto de frutas" em língua indígena, mais que uma coincidência, é uma predestinação. Com clima e solo muito favoráveis à fruticultura, já foi considerada a terra do abacaxi, espécie ainda bastante cultivada na região, e vem gradativamente cedendo suas áreas de pecuária extensiva a culturas mais rentáveis e tecnificadas, como o eucalipto, a cana-de-açúcar e a laranja, esta migrante das áreas produtoras mais tradicionais situadas à margem direita do rio Tietê, que encontrou na região condições muito adequadas de cultivo e com grande potencial de crescimento.

Dentro desse cesto encontramos ainda uma grande variedade de frutas, cultivadas em pequena escala para atender ao mercado local e regional, mas especialmente uma que, tal qual a laranja na forma de suco concentrado, tem como principais mercados consumidores os países mais desenvolvidos do hemisfério norte. É o "avocado", como é conhecido comercialmente o abacate produzido por algumas variedades da planta, de tamanho reduzido e características nutricionais e culinárias superiores, bem ao gosto do consumidor europeu. Fruto, sem trocadilho, da perspicácia, da persistência e da competência de um único produtor do município (e do país), o cultivo da espécie vem se expandindo e conquistando também o mercado interno, associando mais uma vez o nome de nosso município a um produto da terra. Bauru, terra do san duíche, do abacaxi e do avocado.

Relegada a um plano secundário na administração do município nas últimas décadas, nossa agricultura, no entanto, segue firme em direção ao futuro que lhe é de direito, com o reconhecimento de seu potencial de geração de emprego e renda, de fixação do homem no campo, de preservação dos recursos naturais e, objetivo maior de sua missão, produzir alimentos e matérias-primas para suprir as necessidades mais elementares da população, quase que totalmente urbana. "Se a gente não vai prá roça, você não almoça, se a gente não planta, você não janta." Verdades populares incontestáveis a que poucos se dão conta, exceto nos momentos de escassez, quando alguém se lembra que o agricultor existe e não é, salvo as exceções de praxe, um destruidor da natureza. Não obstantes os percalços e incertezas inerentes à atividade, para um município que não tem uma área muito extensa, que não conta com solos de alta fertilidade e que tem como sede um grande e desenvolvido centro urbano a lhe fazer sombra, pode-se dizer que a nossa agricultura também sai muito bem na foto.

O autor, Luiz Alberto Coradi, é engenheiro agrônomo