O novo álbum dele, a ser lançado pela Trama até o fim de 2012, deve se chamar “Perigoso”. Também vem aí um documentário sobre sua trajetória para 2013: “Você não sabe quem eu sou” (nome de um disco do Ira! de 1998). As duas novidades, de certa forma, fecharão uma espécie de “trilogia multimídia” que acaba de ser iniciada com o recém-lançado livro “A Ira de Nasi” (editora Belas Letras/320 páginas/R$ 34,90).
A obra é assinada pelos jornalistas Alexandre Petillo (que já tinha material inédito sobre o vocalista) e Mauro Beting (incumbido de dar o arremate na parte que aborda o ruidoso fim da banda, em 2007). A proposta: contar tudo. Ou quase tudo. Questionado se ficou alguma passagem mais pesada de fora da obra, Nasi diz ao JC: “Por ser muito cabeluda, também não posso revelar aqui para vocês”.
Recheado de fotos que também escancaram as transformações físicas do artista, hoje com 50 anos, o livro foi concebido para, segundo seus protagonistas, abrir o jogo sobre música, drogas, brigas, triunfos, traições, shows, festas, dores, quedas e superações.
Tudo isso ao longo de uma carreira iniciada em São Paulo num longínquo 1981 (quando ainda era Nazi, com “z”, assim chamado por amigos de colégio que o associavam ao movimento punk - e o movimento punk ao nazismo, numa clara confusão entre uma coisa e outra).
Os outros dois
O Ira! fica completo com Ricardo Gaspa (baixo) e André Jung (bateria). Um retorno da banda até pode ocorrer, mas com essa formação clássica parece inviável: Nasi afirma que não volta a trabalhar com André por questões técnicas e pessoais.
Nasi: que impacto você gostaria que esse livro causasse nos fãs mais novos, que conheceram o Ira! (e você) só após o “Acústico MTV”?
Acho legal esses fãs mais novos entenderem como era na minha época . Quando ser “roqueiro” era um problema para a família e a gente só queria fazer o que gostava e da maneira que queríamos. Ninguém tinha a pretensão de fazer sucesso ou ser alguém na vida. Hoje o cara quer uma guitarra e ganha do papai. Também não é por aí.
Imagine sua vida sem drogas. Que tipo de artista teria sido você?
Quando fui usuário eu gostava, mas nunca achei que a droga ajudasse no meu processo criativo como artista.
Há alguma história do livro que ficou de fora por ser cabeluda ao extremo? Pode revela-lá aqui?
Por ser muito cabeluda, não posso revelá-la aqui também. ( risos)
Que lembranças têm de Bauru?
São tantas e tão boas. Foram vários shows em várias épocas com muitas histórias.
Qual a música da sua vida?
“Metamorfose Ambulante”
O Ira! volta em...
Não sei, e não estou preocupado com isso . Estou muito feliz com minha carreira e com minha atual banda
‘Mais um ano sem você’
Com o Ira (ainda sem exclamação), Nasi se tornou a principal voz (límpida e, depois, rouca) das músicas criadas pelo guitarrista e compositor Edgard Scandurra, com quem rompeu feio após 14 álbuns de parceria.
Entre outros tópicos, o livro aborda - claro - o fim da banda (sem trazer foto do grupo para evitar problemas judiciais), a briga de Nasi com o irmão-empresário, Airton Valadão Júnior (os dois já reataram) e outros quiprocós, como um triângulo amoroso que, ainda nos anos 90, já tinha sacudido a amizade de Nasi e Scandurra após o vocalista ficar com a namorada do guitarrista, segundo o livro. Scandurra tem evitado comentar o episódio - e tudo mais o que diz respeito ao livro do velho amigo.
Mas, afinal, o Ira! tem volta? “Não sei, e não estou preocupado com isso”, desconversa Nasi - que, enfim, é mais objetivo ao responder qual a música de sua vida: “Metamorfose Ambulante”, de Raul Seixas. Aquela do verso que até poderia ter sido escrito de Nasi para Scandurra - ou vice-e-versa: “Se hoje eu te odeio, amanhã lhe tenho amor”. Mais um ano que se passa, e esse capítulo segue em aberto.