Nova York - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ignorou ontem um alerta da Organização das Nações Unidas para evitar a retórica incendiária, e declarou a jornalistas durante a sessão anual da Assembleia Geral da ONU que Israel não tem raízes no Oriente Médio e será “eliminado”.
Ele disse também que não leva a sério a ameaça militar israelense contra as instalações nucleares iranianas, negou ter enviado armas à Síria e disse que as condições econômicas do seu país “não estão tão ruins quanto são retratadas”, apesar das sanções internacionais ao Irã.
“Fundamentalmente, não levamos a sério as ameaças dos sionistas (...). Temos todos os meios defensivos à nossa disposição, e estamos prontos para nos defender”, disse Ahmadinejad, que discursa na quarta-feira à Assembleia Geral.
Os Estados Unidos rejeitaram os comentários do presidente iraniano, classificando-os como “odiosos, ofensivos e ultrajantes”.
No domingo, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se reuniu com Ahmadinejad e alertou-o sobre os perigos da retórica incendiária para o Oriente Médio. Ahmadinejad ignorou o conselho.
Na conversa com os jornalistas, ele aludiu ao fato de ter anteriormente negado o direito de Israel à existência. “O Irã está aí há 7, 10 mil anos. Eles (israelenses) ocuparam esses territórios nos últimos 60 a 70 anos, com o apoio e a força dos ocidentais. Eles não têm raízes históricas lá”, disse ele, falando a jornalistas por meio de um intérprete.
O moderno Estado de Israel foi fundado em 1948, em terras que os judeus dizem ser o seu lar bíblico.
“Acreditamos que eles se encontraram em um beco sem saída e estão agora buscando novas aventuras para escapar desse beco sem saída. O Irã não será danificado por bombas estrangeiras”, disse Ahmadinejad.
“Nem contamos com eles em nenhuma parte de nenhuma equação para o Irã. Durante uma fase histórica, eles representam perturbações mínimas que entram em cena e aí são eliminadas”, acrescentou.
Em 2005, Ahmadinejad chamou Israel de “tumor” e ecoou as palavras do primeiro líder da República Islâmica do Irã, aiatolá Ruhollah Khomeini, ao dizer que o Estado judeu deveria ser eliminado do mapa.
O presidente disse que a polêmica nuclear é um assunto a ser resolvido entre Estados Unidos e Irã por meio de negociações. Os EUA e seus aliados acusam o Irã de tentar desenvolver armas nucleares, o que Teerã nega.
“A questão nuclear não é um problema”, disse Ahmadinejad. “Mas a abordagem dos Estados Unidos para o Irã é importante. Estamos prontos para o diálogo, para uma resolução fundamental dos problemas, mas sob condições baseadas na justiça e no respeito mútuo. Não estamos esperando que um problema de 33 anos (desde o rompimento de relações) entre os Estados Unidos e Irã seja resolvido de forma acelerada. Mas não há outra forma senão o diálogo.”
Obama
O presidente norte-americano, Barack Obama, irá abordar a agitação muçulmana ligada ao vídeo anti-islâmico e irá destacar seu comprometimento em impedir que o Irã adquira armas nucleares em seu discurso para a Organização das Nações Unidas nesta semana, afirmou a Casa Branca, ontem.
Dilma fará cobranças aos países ricos na ONU
Nova York - Em seu discurso na abertura da 67ª Assembleia Geral da ONU hoje, a presidente Dilma Rousseff deve cobrar os países ricos tanto em questões econômicas como em política externa.
Dilma deve reiterar a oposição do governo brasileiro à iniciativa do Fed, o BC americano, de comprar títulos do Tesouro, injetando dinheiro na economia.
Um dos efeitos colaterais é a valorização do real, que corrói a competitividade das exportações do país.
Dilma está em Nova York desde domingo com a filha, Paula, e outros cinco ministros e diversos assessores, mas sem agenda oficial.
Teve um único encontro bilateral ontem, com o presidente da Comissão Europeia, José Durão Barroso. “A crise europeia vai demorar, mas o primeiro tempo já passou. Vocês, brasileiros, que gostam de futebol, estamos na segunda parte do jogo”, disse Barroso.
O Brasil abre a sessão anual da Assembleia desde que o diplomata Oswaldo Aranha iniciou a tradição em 1947.