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Marco Magnoni/Divulgação |
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Fachada da estação ferroviária de Botucatu que vai passar por ampla restauração |
Botucatu - O restauro da estação ferroviária de Botucatu será iniciado no próximo dia 2 de outubro, anuncia a Prefeitura de Botucatu. O prédio foi desativado há 13 anos, após a privatização da antiga Ferrovias Paulista S/A no governo Mário Covas (PSDB).
O enorme patrimônio ferroviário ficou abandonado. Nos arredores há um imenso “cemitério” de vagões e de prédios das antigas oficinas.
De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, a primeira etapa do trabalho na estação ferroviária deverá durar em torno de quatro meses e está avaliada em cerca de R$ 1 milhão. A Prefeitura investirá em torno de R$ 400 mil e outros R$ 600 mil deverão ser financiados pelas empresas Duratex e Caio Induscar através do Programa de Ação Cultural (Proac) do Governo do Estado. As ações contemplam a recuperação completa do telhado, da fachada principal, limpeza do saguão, preservação dos vitrais e instalação de alambrado ao longo da plataforma de embarque e desembarque de passageiros.
Em
março deste ano, já houve um acidente com vagões da América Latina Logística que derrubaram a cobertura metálica da plataforma. Uma das composições transportando dormente atingiu um dos postes, quando passava pelo vão estreito da estação.
O
projeto ainda prevê um trabalho de educação patrimonial que será executado pela empresa Producom. O diretor Fernando Caseiro informa que através de ampla pesquisa serão produzidos painéis retratando a história da ferrovia e a importância do processo de restauro da estação.
“A partir de imagens e textos serão reproduzidos painéis, haverá exposição de slides e deveremos ter alguma coisa de touch screen para apresentação de imagens. A ideia é que a Secretaria de Educação leve escolas até lá para que as crianças e jovens possam compreender o que foi a estação e o processo de restauração. Será uma ação permanente”, informa.
O restaurador Antonio Luís Ramos Sarasá Martin disse em nota expedida pela assessoria de imprensa que o trabalho de educação patrimonial é essencial para garantir a preservação da estação que será recuperada. “O tombamento de algum bem é um ato administrativo feito pelo poder público do reconhecimento e da atribuição da sociedade. É justamente isso que vamos fazer. A relação de pertencimento com a sociedade. A educação patrimonial é demonstrar o que tem ali, o que representa a estação, quais as características que ela tem e fazer essa relação de pertencimento. Aí vem todo equipamento que o Fernando vai colocar, que são exposições, monitoria. A educação patrimonial é para trabalhar essa relação de pertencimento da sociedade com o bem. O restauro por si só, com a materialidade, não se sustenta. Isso é uma coisa que a gente trabalha muito hoje”.
Danos
Segundo Sarasá, o prédio da antiga estação apresenta vários danos e “patologias”. “A estação está bem degradada. Tem vegetações, ação de deterioração, cobertura totalmente deteriorada, as argamassas com soltura, problema de exposição dos próprios tijolos. Vamos resgatar primeiro a sanidade do edifício e depois o próprio uso. Se nada fosse feito, em pouco tempo o prédio poderia estar entrando em situação de ruína. Os elementos estão se desprendendo, caindo. Se deixasse muito tempo, logo teríamos o colapso da cobertura. Ainda conseguiremos resgatar muito do prédio. Mais um pouco seria impossível”, adverte.
O secretário de Cultura, Osni Ribeiro, destaca que a atual gestão sempre demonstrou preocupação com o patrimônio ferroviário e garantiu a posse da maior parte dos imóveis existentes na cidade, condição fundamental para que o processo de recuperação pudesse ser iniciado.
Já o historiador e secretário municipal de Descentralização e Participação Comunitária, João Carlos Figueiroa, diz que a estação ferroviária já precisava de uma restauração mesmo na época em que estava funcionando porque vários espaços como o telhado e as paredes sofriam sem manutenção.
“Já são 13 anos que a estação deixou de funcionar e ela só veio degenerando. Até que Botucatu conseguiu fazer uma manutenção que segurou um pouco a invasão e a depredação. A população se mobilizou. Durante esse período, o senhor Góes, de modo voluntário, vinha varrer a estação, afugentando os depredadores. Compareceu como cidadão. Todos ficarão contentes, principalmente a família ferroviária”, comenta.
Um ato público, a partir das 9h do dia 2, marcará oficialmente o processo de recuperação do patrimônio ferroviário.
A estação de Botucatu foi aberta em 1889 como ponta de linha, mas o prédio que vai passar por restauro é o terceiro construído. Há uma placa com data de 1934, com informação de que foi construído por Camargo & Mesquita Engenheiros. A estação ficou abandonada depois da supressão dos trens de passageiros, em 16 de janeiro 1999, mas em maio de 2001, passou ao controle da Prefeitura. Ficou abandonada por um tempo servindo de morada de mendigos. No atual administração, a prefeitura conseguiu ficar com a guarda da estação.