“Quando a gente está jogando, reclama de treino porque está cansado. Mas quem se machuca, é pior.” Com uma rotina exaustiva, assim o ala Fischer, do Paschoalotto/Bauru, define o momento pelo qual passa. O jogador passou por cirurgia no final da temporada passada e, desde então, trabalha para retornar à equipe. Fischer chegou a treinar, mas sentiu dores no tornozelo direito, local da intervenção cirurgia, e busca, agora, superar o problema para voltar às quadras. O ala explica sua frase acima: “Você tem sessões de fisioterapia e tem que correr atrás do tempo que ficou parado”, pontua. “Mas faz parte e temos que conviver com isso”, conforma-se.
E realmente a vida de um jogador lesionado pode até não ser mais cansativa do que a de quem está atuando - fica a questão -, mas é mais chata, com certeza. Para ficar 100%, Fischer se submete a uma rotina desgastante e que exige disciplina e perseverança diárias. “Às 8h, faço fisioterapia. Às 9h, vou para a academia e fico até umas 10h20. Vou para quadra e treino arremesso até meio-dia. À tarde, das 15h às 16h30, tenho fisioterapia de novo. Venho para o ginásio e faço a parte física”, relata.
Desde a semana passada, Fischer também começou a ter um turno noturno, com treino físico e fisioterápico na piscina. “Na piscina consigo fazer salto em uma perna só, o que na quadra ainda não consigo, porque a água amortece, tem menos impacto. Faço bastante salto e corrida, com tiros. São movimentos que não consigo fazer na quadra”, acentua.
Mas, consciente da necessidade do trabalho que vem desenvolvendo, o ala afirma que não se aborrece. “Chato é ficar sem poder correr. Estava com muita saudade de poder me movimentar, transpirar. Então, estou feliz que a gente voltou a fazer este treinamento (físico). Voltei sentindo dor, mas está evoluindo, estou bem melhor. Estou feliz e não vejo a hora de voltar a correr participando de um jogo mesmo”, observa. Fischer revela que o momento de maior dor é nos exercícios de corrida continua. “É mais quando o tendão estende. O deslocamento lateral e tiro curto não doem tanto, porque corro mais na ponta do pé. Mas está evoluindo”, reitera.
Do banco
O período afastado da equipe acabou propiciando a Fischer uma experiência até certo ponto nova, uma vez que o ala tem a oportunidade de acompanhar o desempenho da equipe do banco de reservas durante todo o jogo. O analista Fischer entra em ação para comentar sobre o desempenho do Paschoalotto até aqui. “O time está bem e o melhor é que está evoluindo. Olho e acho que não está no máximo, ainda tem mais para evoluir. Estamos no começo de temporada e tem muita coisa para acontecer. Estou animado e me vejo participando deste time, podendo ajudar. Quero voltar logo para fazer parte deste momento”, projeta o jogador.
Sentido!
Sargento do Exército desde março, Fischer foi ao Rio de Janeiro, recentemente, para fazer um curso relacionado à sua patente. “Sou um sargento temporário e posso ficar até no máximo oito anos no Exército. Faço parte da Seleção Brasileira das Forças Armadas e tinha que fazer um estágio. O nome é Estágio Básico de Sargento Temporário. É um curso sobre hierarquia, fardamento. Aproveitei esta semana que estava na fisioterapia, e eles têm toda a estrutura lá, para fazer o curso. Continuei o tratamento lá”, explica.
Fischer revela como se tornou militar. “Todos que estão na Seleção são atletas de NBB. O Arthur, o Nezinho, o Coloneze, o Wagner, o Estevam... é um timaço. O Jefferson, que era de São José, teve que sair e acabaram me oferecendo. Fui correndo, porque acho um negócio muito legal”, considera. Para ser aprovado, o ala passou por entrevistas com psicólogos e oficiais do Exército. “Você consegue uma pontuação também em cima do currículo que você tem e acabei entrando. Vou jogar o Mundial e Jogos Olímpicos das Forças Armadas. É uma experiência muita boa”, conclui.