A Voz do Brasil, programa de rádio criado no governo de Getúlio Vargas, em 1935, com o nome a Hora do Brasil, com o objetivo de divulgar e consolidar a nação em prol da ditadura que tomava vulto. Eu, ainda menino, nos anos 50, lá em Gália, lembro-me bem, às 19 horas, de segunda às sexta-feiras, o locutor começava dizendo: "Em Brasília, 19 horas...". Em seguida a tediosa introdução orquestral, da ópera "O Guarani".
Programa radiofônico, arauto dos Três Poderes, em cadeia nacional, no mês de agosto último recebeu do Supremo Tribunal Federal, a obrigatoriedade da transmissão para todas as emissoras de rádio do Brasil, no horário das 19h às 20h. O ministro Antonio Dias Toffoli, do Supremo, que participa do julgamento do mensalão, "aceitou recurso da União e julgou legal a determinação de formar em cadeia nacional de rádiodifusão para o programa que é o porta-voz dos Três Poderes" (Estadão, 20-09.2012). Esta medida derrubou de vez uma decisão do TRF, 4ª. região, que permitia a uma rádio do Paraná transmissão do programa no horário que lhe conviesse.
Agora, resta ao Congresso elaborar uma nova lei, mudando e eliminando o que aí está imposto desde os tempos do Getulismo. Todavia, não esperemos que alguma coisa mude, pois parlamentares teriam interesse em desprezar este vantajoso nicho eleitoreiro cedido pela Voz do Brasil? Em junho último, uma proposta liderada por alguns políticos chegou à Câmara, com o apoio do ministro das Comunicações Paulo Bernardo, propondo o programa ser transmitido entre as 19h e 22h, flexibilizando qualquer momento, mas a votação foi impedida pelo PT.
Aquele velho e puído bordão político utilizado por alguns como: povo, o povão, a galera, ou cumpanheiro continua em voga. Segundo o jornal Estadão, de 20.09.2012 "Para o líder petista na Câmara, Jilmar Tato (SP), A Voz do Brasil faz parte da identidade nacional". E de acordo com o deputado Tatto: "O povo está ouvindo. Quem não quer ouvir coloca um CD. Pobre gosta de ouvir".
Para o deputado, as emissoras só querem o horário "para ganhar dinheiro com publicidade". O Estadão finaliza: "como se isso fosse um crime". Oportuna a recomendação do deputado Jilmar Tatto para o uso de CD na Hora do Brasil. Da minha parte, usaria meus "pen drives", lotados com clássicos, que mantenho em casa e no carro (posto que CD já está desatualizado). Caso contrário, desligo, imediatamente, a Voz de Brasília.
Laerte Mazetto