Único “herói” e ídolo da juventude bauruense: esse foi o “slogan” que carregou por um bom tempo o compositor e cantor Francisco Carlos São Romão Sanches, mais conhecido como “Carlinhos Bauruzão”. Nas décadas de 80 e 90, o compositor, famoso por suas músicas que falavam da cidade, representou a quebra de padrões e agitou toda uma geração sob os ritmos de rock e rhythm and blues. Esse cantor, morto há dez anos vítima de cirrose hepática, vai ser alvo de homenagem amanhã, no Armazén Bar, a partir das 22h30.
O tributo leva o nome de “Carlinhos Bauruzão: dez anos além” e vai reunir a banda Kães Elétricos, entre outros grupos e músicos que prestarão suas homenagens ao ídolo bauruense que agitava a cena musical dos anos 80 e 90. Com rock na veia, Carlinhos Bauruzão, que faleceu com apenas 43 anos, fez parte de várias bandas de Bauru, como Tempo Perdido, Aeroplano, Super Liga K.Tóli.K., entre outras.
Carlinhos percorria a “noitada” bauruense marcando presença em bares e casas de shows. “Ele não tinha banda fixa, era um nômade, e quando o conheci ele tocava na Tempo Perdido. Eu tinha a banda Super Liga K.Tóli.K. e tocávamos no Armazén. E o Carlinhos vinha no meio do show pra fazer a participação com a gente”, relata o amigo Valmir Marques, arranjador da maioria das canções de Bauruzão e atual integrante da Kães Elétricos.
“Ele apresentava suas canções e nós também cantávamos canções dele. A música mais conhecida se chamava ‘Bauruzão’, que inclusive rendeu o apelido ‘Carlinhos Bauruzão’”, revela Valmir. Além da paixão pela música, Carlinhos era uma pessoa que adorava estar junto à família e tinha fascinação pelo mar. Sempre que podia, ia para Ubatuba renovar energias e encontrar inspiração. E mesmo com saúde abalada, Carlinhos não parava de produzir.
Letras irreverentes
Além de cantar, Bauruzão se destacava principalmente como compositor, pelas suas letras irreverentes e ousadas, que abordavam temas políticos e acontecimentos sociais da cidade. “Fazedor” de poesia urbana, ele conseguia retratar de maneira especial e peculiar a memória musical bauruense. “As letras eram focadas na cidade, nas pessoas de Bauru, no movimento cultural da época. Nós enfrentávamos a ditadura militar, então as pessoas tinham que se agrupar pra falar alguma coisa”, lembra o músico Valmir.
Entre as composições mais lembradas, além de “Bauruzão”, estão “Urbanidade”, “Até a Polícia Chegar” e “Vampiro de Bauru”. “Ele gostava muito de Bauru, tem até uma letra de música dele que diz. ‘às vezes não aguento ficar na cidade; de repente eu saio, mas aí volta a saudade”, recorda o amigo Valmir. “Ele era uma ‘figuraça’, era Carlinhos Bauruzão 24 horas por dia. Fazia letras, era frequentador assíduo de bares, era da noite. O que mais ficou marcado foi sua ousadia, pois mesmo em uma época de ditadura, ele dizia o que não podia ser dito. Era um cara irreverente, e morreu cedo porque viveu intensamente”, finaliza.
Serviço
O Armazén Bar fica na rua Quintino Bocaiúva, 2-20, Centro. Informações: (14) 3226-2016
Tributo terá documentário
No tributo desta quinta-feira, além de muita música, será apresentado ainda um documentário sobre a vida do cantor e compositor tido como ídolo da juventude e poeta urbano de Bauru nas décadas de 80 e 90. Produzido e dirigido por Pedro Romualdo e a TV Câmara de Bauru em dezembro de 2002, o documentário traz fotos e trechos de apresentações do roqueiro que cantava na cidade. No repertório de homenagem, a banda Kães Elétricos vai apresentar canções mais famosas de Carlinhos junto a outros músicos e grupos pertencentes à mesma época de atuação do cantor.