11 de julho de 2026
Nacional

Dilma critica na ONU política expansionista de BCs desenvolvidos

Reuters
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Shannon Stapleton/Reuters

Presidente propôs pacto pela retomada do crescimento e depois se encontrou com Barack Obama.

Nova York - A presidente Dilma Rousseff criticou ontem a política expansionista adotada pelos principais bancos centrais, que seria prejudicial aos países emergentes e a própria economia global, e pediu por um “pacto” pelo crescimento que envolva a consolidação fiscal de países com problemas de dívida, como na zona do euro.

Dilma usou seu discurso na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) (leia mais na página 20) para voltar a criticar as medidas adotadas por nações desenvolvidas que, segundo ela, resultam num agravamento do quadro recessivo global.

“Os bancos centrais dos países desenvolvidos persistem em uma política monetária expansionista que desequilibra as taxas de câmbio”, disse Dilma. “Com isso, os países emergentes perdem mercado devido à valorização artificial de suas moedas, o que agrava ainda mais o quadro recessivo global.”

Para Dilma, a política monetária não deve ser a única resposta para enfrentar o aumento do desemprego nos países desenvolvidos.

 

Pacto pelo crescimento

A presidente pediu, ainda, a construção de um pacto internacional para a retomada do crescimento econômico.

“É urgente a construção de um amplo pacto pela retomada coordenada do crescimento econômico global, impedindo a desesperança povoada pelo desemprego e pela falta de oportunidades”, defendeu.

Mais tarde, Dilma disse que deverá haver um esforço no sentido da “consolidação fiscal dos países que têm problema de dívida soberana”, como os da zona do euro.

“Mas isso tem que ser feito com uma cautela tal que não leve o mundo a uma queda brusca”, disse ela a jornalistas. “Por isso eu uso o nome pacto, porque todos os países, de uma certa forma, vão ter de se engajar nessa necessidade, nessa determinação e nessa vontade política de procurar políticas de recuperação que não afetem de uma forma dramática os outros”, disse, voltando a citar medidas que seriam prejudiciais a outros países, sobretudo os emergentes.

Ainda na ONU, a presidente defendeu medidas de “defesa comercial”, retomando, ainda que indiretamente, a discussão desta semana com os Estados Unidos, que acusaram o Brasil de protecionismo.

“Não podemos aceitar que iniciativas legítimas de defesa comercial por parte dos países em desenvolvimento sejam injustamente classificadas como protecionismo”, disse.