11 de julho de 2026
Articulistas

Política econômica dos países ricos: crítica de Dilma Roussef

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

A presidente da República, Dilma Rousseff, discursou na ONU e aproveitando a presença do presidente dos Estados Unidos rebateu as críticas que estão sendo feitas em relação ao eventual protecionismo brasileiro no que se refere à indústria nacional, quando da elevação das tarifas de importação de inúmeros produtos importados pelo Brasil.

"Os bancos centrais dos países desenvolvidos persistem em uma política monetária expansionista, que desequilibra as taxas de câmbio", disse a presidente, e emendou "Com isso, os países emergentes perdem mercado, devido à valorização artificial de suas moedas, o que agrava ainda mais o quadro recessivo global".

Vamos tentar entender a lógica de suas colocações. A presidente Dilma desenvolve um raciocínio lógico em torno dos efeitos da política monetária expansionista. A política monetária é um instrumento que é utilizado para monitorar a liquidez do mercado, com mais ou menos emissão de moeda, trata ainda dos juros dos títulos públicos, também regula os compulsórios e trata da política de crédito como um todo. Em outras palavras: expandir a política monetária é sinônimo de afrouxar, elevar a liquidez no mercado.

Quando isso acontece à moeda do país perde valor, se desvaloriza se comparada a outros países que não promovem a mesma política. A taxa de câmbio acaba sendo alterada.

No caso brasileiro o Real passa a valer mais do que o Dólar. Se não é feito nada para contornar esta questão as exportações caem e as importações aumentam, podendo gerar um déficit na balança comercial. Vale lembrar que o saldo positivo na balança comercial é fundamental para fazer face às necessidades de investimento do país.

Quando ela menciona o agravamento do quadro recessivo mundial ela quer dizer que o comércio internacional, neste quadro de valorização artificial da moeda, afeta países exportadores e derruba o nível de atividade econômica dos países envolvidos.

É um ciclo que precisa ser interrompido. Evidentemente que os países ricos têm seus motivos para defender suas economias, mas é preciso aprofundar a análise de causa e efeito, e buscar, via ajuste fiscal (e não somente monetário) soluções mais estruturadas e duradouras.

O Brasil ao lançar mão do aumento das tarifas de importação tenta compensar a valorização do Real diante de outras moedas, notadamente o dólar.

Desta maneira esta decisão não estaria na vertente do protecionismo, mas sim, muito mais ligada à compensação ao câmbio desfavorável.

Independentemente da leitura que o resto do mundo fará das palavras de Dilma o certo é que ela foi corajosa, defendeu nossos interesses e demonstra que não é possível pensar globalmente se não houver ação global, ou seja, se ninguém está isolado no mundo, não há mais espaço para decisões unilaterais.

O que se espera na prática é que aja discussão de uma nova ordem mundial em que os interesses das minorias, abra espaço para pensar no grosso da população mundial, principalmente os menos favorecidos que por vezes perdem seus empregos sem entender nada do que está acontecendo.

O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, presidente da Acib, diretor regional do Corecon e articulista do JC