Um caminhão carregado com laranjas que seguia de Cabrália Paulista para a cidade de Matão teve seu trajeto interrompido após passar por Bauru. Estacionado na quadra 19 da rua Padre Anchieta, no bairro Vila Seabra, altura do Jardim Bela Vista, ele acabou tombando ao ser engolido por uma cratera que se abriu no asfalto. Até o fechamento desta edição na noite de ontem, o caminhão continuava no local.
Durante o dia, várias tentativas de retirar o veículo do buraco foram feitas com um guindaste e até uma retroescavadeira. Durante os trabalhos, a CPFL Paulista precisou interromper o fornecimento de energia elétrica, que acabou deixando 1.100 estabelecimentos e moradias no escuro.
Conforme o JC apurou no local, o motorista do caminhão Ford/Cargo, placas BWJ-5697, de Cabrália Paulista, teria estacionado o veículo na noite de quarta-feira na quadra 19 da rua Padre Anchieta, para repousar e seguir viagem na manhã do dia seguinte. Ao acordar, teve uma surpresa.
As duas rodas traseiras e uma das dianteiras do veículo estavam completamente encobertas pelo asfalto, entre a rua e a sarjeta, deixando o caminhão tombado e escorado em um poste de energia elétrica.
“Quando estacionei ali, o asfalto estava normal, não havia buracos. Percebi apenas um vazamento de água, mas ele vinha da outra rua”, contou o rapaz à reportagem.
Por conta dos riscos de queda do poste, a dona de casa Joana Lúcia Andrade, 50 anos, e sua filha de 18 anos acabaram deixando sua residência, em frente ao ocorrido, e se abrigando em vizinhos. “Não dá para ficar dentro de casa esperando para ver se o poste irá cair e se o caminhão irá tombar de vez ou não”, lamentava a moradora.
Acionado, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) foi o primeiro a comparecer ao local e acionar um guindaste para a retirada do caminhão. Entretanto, as foram frustradas.
Novela
Em uma das tentativas, o guindaste acabou quebrando parte da carroceria e os trabalhos foram interrompidos. Em outra, um cambão - espécie de ferro - foi encaixado entre o guindaste e o caminhão para tentar erguer e retirar o veículo da cratera.
Apesar dos esforços, nenhuma solução foi efetiva, e a negativa do caminhoneiro em relação retirada da carga de laranjas do caminhão, sem a presença da empresa de seguros, tornava a situação mais complicada ainda no local.
Durante a ação, a Polícia Militar foi acionada por técnicos da CPFL para elaboração de um boletim de ocorrência sobre o caso. Técnicos da Defesa Civil do município também estiveram presentes para analisar os riscos, mas não constataram perigos iminentes.
“Seremos cobrados pela população em relação a essa interrupção demorada”, disse o engenheiro da companhia, Carlos Mady, informando que a interrupção aconteceu em parte do período da manhã e voltou a ocorrer das 13h10 às 16h30.
Por volta das 20h, a reportagem obteve a informação de que a empresa seguradora acionada pelo motorista estava no local fazendo o transporte da carga, mas provavelmente, o caminhão seria retirado somente hoje.
DAE: rompimento de ramal
De acordo com o diretor da divisão técnica do DAE, Manuelino Câmara Filho, o local onde o caminhão caiu não tinha registros de vazamentos na autarquia.
“Com as chuvas, o asfalto se deteriora e tem sua vida útil diminuída. Não tinha vazamento lá, até porque, se tivesse o caminhão não conseguiria nem mesmo ter estacionado”, explicou ele durante a tarde, afirmando que agentes da autarquia aguardavam a retirada do veículo para dimensionar os estragos na rede.
À noite, Manuelino informou que houve um rompimento do ramal de água e esgoto no local e que os reparos serão feitos hoje. Segundo ele, não será possível saber se o problema já existia ou se ocorreu somente ontem.
Moradores reclamam de transtornos
Com a chegada da PM ao local, diversos moradores e empresários das redondezas que ficaram sem energia elétrica durante os trabalhos para o resgate do caminhão compareceram ao local para reclamar sobre a situação.
“Estamos com 190 funcionários parados desde as 11h por causa disso. Se o transbordo da carga tivesse sido realizado pela manhã, essa situação já estaria resolvida”, reclamou Bruno Castro, vendedor de uma empresa fabricante de sistemas de alarme de incêndio e iluminação de emergência localizada no bairro.
“Por causa dessa demora estou com as máquinas de refrigeração paradas e posso perder todo meu estoque de carnes”, reforçou o proprietário de um açougue nas proximidades do fato, Giancarlo Zuim.
Um dos empresários que estavam no local afirmou que realizaria boletim de ocorrência por conta dos prejuízos da empresa com o desligamento prolongado da energia elétrica.
Além da interrupção realizada pela CPFL, o trânsito na quadra 18 da rua Padre Anchieta e quadra 9 da rua Boa Esperança ficaram interditados durante todo o dia.