Conhecido por atuar em buscas por suspeitos e também no patrulhamento preventivo de grandes eventos, o helicóptero Águia da Polícia Militar (PM) também atuará no resgate de feridos em Bauru. Apesar de não haver prazo oficial, a estrutura do resgate aéreo está praticamente completa e o serviço deve começar, no máximo, até o ano que vem.
A informação foi revelada ontem com exclusividade ao Jornal da Cidade. Atualmente, o Águia é responsável pelo policiamento e tripulado pelo piloto, copiloto e policiais armados. No serviço de resgate, que irá se revezar com o de patrulha (leia mais ao lado), esses últimos tripulantes dão lugar a um enfermeiro e um médico.
“Os enfermeiros são bombeiros. Quatro profissionais da região já foram até treinados na Capital”, explica o primeiro-tenente do Grupamento de Radiopatrulha Aérea (GRPAE) Fabiano Leon de Oliveira Thomassian.
Falta somente treinamento dos médicos e a autorização para que o resgate comece a ser feito pelo primeira vez em Bauru. “Se viesse a ordem agora, teríamos estrutura para isso. Não posso precisar se será algo para este ano. Mas, como está tudo bem avançado, o serviço deve começar, no máximo, no ano que vem”, afirma.
Atualmente, além de fazer o policiamento em Bauru, o Águia já atua com finalidades médicas. A aeronave faz o transporte de órgãos para transplantes e, no bagageiro, mantêm equipamentos de primeiros-socorros para auxiliar em determinados acidentes. “Só não fazemos o transporte dos feridos. É isso que irá começar”, complementa o tenente.
O resgate aéreo já é realizado na Capital e em Campinas. O serviço atua em todo acidente grave, no qual o tempo-resposta é fundamental para salvar a vida dos feridos. Exatamente por isso, o aumento de frota que congestiona o trânsito bauruense a cada dia é um obstáculo que o resgate pelo ar pretende sobrepujar.
“Além do trânsito, a importância maior do resgate aéreo que faremos em Bauru é por conta das rodovias afastadas, que tem muitos acidentes, e dos municípios vizinhos. Têm cidades menores que não possuem recursos e os feridos precisam ser transferidos para hospitais de maior porte”, ressalta o tenente Thomassian.
Heliportos
E não é só a estrutura base da corporação que já está apta ao serviço. Os hospitais bauruenses possuem condições para receber um helicóptero com um ferido a bordo. “O Hospital Estadual (HE) já tem seu próprio heliporto”, explica.
Já o Hospital de Base (HB) não conta com esse local específico, porém, de acordo com o tenente, possui área adequada para o pouso do helicóptero. “Já até conversamos com a diretoria e eles têm interesse em receber esse serviço”, conclui Thomassian, que já trabalha como piloto - tanto de policiamento quanto de resgate - há 7 anos.
Helicóptero Águia se revezará entre o policiamento e as ações de resgate
O projeto ideal para o resgate aéreo compreende a atuação de duas aeronaves da PM. Uma delas fica com o policiamento e a outra, com o resgate de feridas. Porém, em Bauru, um único helicóptero se revezará nas duas funções. Pelo menos no primeiro momento.
“O projeto prevê realmente dois helicópteros, porém, no começo, só iremos contar com um. Ele fará o patrulhamento e, quando for preciso, será adaptado para o resgate. É uma adaptação que demora quatro minutos”, explica o tenente Fabiano Leon de Oliveira Thomassian.
O helicóptero de resgate possui uma maca e equipamentos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), como respiradores mecânicos.
Questionado se o revezamento de funções irá prejudicar o patrulhamento policial - que é exclusividade do Águia hoje -, o tenente rebate que não. “Ele será usado para resgate em ocasiões excepcionais. Em Campinas, esse revezamento é feito e tem dado bastante certo”, conclui Thomassian.
Médicos tripulantes
Com os bombeiros já treinados para atuar como enfermeiros no resgate aéreo, resta somente o treinamento dos médicos. Ainda não há consenso se serão novos profissionais contratados ou aqueles do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) que demonstrarem interesse. Porém, é sabido que eles precisarão passar por ampla capacitação.
“Muitos acham que é só ter o médico, mas não é. Ele precisa atuar também como um tripulante. Por exemplo, o médico ajuda na visualização para o piloto a pousar a aeronave. Ele precisa ter várias noções que são passadas em um treinamento”, explica o tenente Fabiano Leon de Oliveira Thomassian.