09 de julho de 2026
Internacional

Morre publisher das grandes transformações no ?NYT?


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Nova York - O publisher do jornal “New York Times’’ Arthur Ochs Sulzberger morreu ontem, aos 86 anos, em sua casa, em Southampton. Conforme obituário publicado no site do próprio jornal, ele estava doente havia algum tempo, e o anúncio foi feito pela família.

Sulzberger assumiu o cargo de publisher em 1963, quando o jornal enfrentava uma grave crise financeira. A empresa havia sido comprada pelo avô dele, Adolph S. Ochs, em 1896 e, desde então, era gerida pela família.

Sua carreira como publisher e, mais tarde, como diretor e chefe-executivo da The New York Times Company, durou 34 anos. Ele entregou o cargo de publisher ao filho em 1992 e o de diretor em 1997.

Em um comunicado, o filho e atual publisher do “NYT’’, Arthur Ochs Sulzberger Jr., afirmou que o pai era “um fervoroso defensor da liberdade de imprensa’’. Ele disse, na mesma nota, que a luta do pai “ajudou a expandir o acesso à informação crítica e a prevenir a censura governamental e a intimidação.’’

Um dos episódios marcantes da trajetória de Sulzberger à frente do “NYT’’ foi o da publicação, em 1971, de uma série de reportagens sobre papéis secretos do governo a respeito da condução da Guerra do Vietnã (1955-75).

O caso, que ficou conhecido como “Pentagon Papers’’, revelou um padrão de mentiras dos presidentes John Kennedy (1961-63), Lyndon Johnson (1963-69) e outros que secretamente escalaram o conflito enquanto, publicamente, garantiam que os EUA não queriam uma guerra mais ampla.

Na ocasião da publicação, o governo de Richard Nixon (1969-74) chegou a exigir a interrupção das reportagens, sob o argumento de que elas ameaçavam a segurança nacional. O jornal rejeitou o pedido, sob a justificativa da Primeira Emenda da Constituição americana, aquela que garante a liberdade de expressão.

Quando deixou a diretoria do jornal, em 1997, afirma o obituário, “ele continuava convencido de que os jornais - ao menos os bons jornais - tinham um futuro brilhante’’. “Não há falta de notícia no mundo. Se você quer notícia, você pode ir ao ciberespaço e tirar do meio deste monte de lixo. Mas eu não acho que a maioria das pessoas seja competente para se tornar editor, ou tenha tempo ou interesse para isso.’’